domingo, 28 de junho de 2009

O UMBANDISTA E O COMPROMISSO COM MEIO AMBIENTE

Saravá irmãos de fé!


Hoje vamos falar de um tema que muito me atormenta, nosso cuidado com o meio ambiente. Nossa religião é ligada diretamente com a natureza e com os seres que dependem dela, muitos acham que Meio ambiente só envolve a natureza em si, porém se enganam; meio ambiente é um termo utilizado para o meio no qual vivemos. Por isso o título compromisso com meio ambiente.

É muito triste quando escutamos pessoas falando:


“Que sujeira, isso é coisa de macumbeiro porco!”


E é muita hipocrisia fingir que não é com a gente, sabemos quem estão chamando de macumbeiro porco. Somos nós, que vestimos roupa branca.

E o que podemos fazer para melhorar isso?

Podemos nos questionar e saber se realmente o que fazemos na umbanda é certo, e a partir de nossas conclusões, tentar melhorar. Sei que não é de uma hora para outra que vamos poder acabar com as velas, garrafas de cachaça e alguidares nas esquinas das ruas. Mas devemos sim estudar para vermos que essa forma de expressão está equivocada.

Imagina só Brasil no final do século XIX, uma pessoa pobre que teve como ensinamento de seus ancestrais africanos ser do agrado de um orixá presenteá-lo.

La nas lendas, por exemplo, se dizia:


“Iemanjá, adora espelhos, sabonetes, espumantes, prata etc..”


A pessoa pensa:


“Bom prata eu não tenho, bebida também é difícil, mas um espelho e uma meia dúzia de fitas, eu tenho pra dar pra minha mainha”.


La vai a pessoa toda feliz, faz um barquinho com seus irmãos, coloca no mar a fita, o espelho e um o pedaço de sabão. “Agradei meu orixá!”.

Pensar em julgar uma pessoa daquela época é complicado, a muitos fatores sociais, históricos e morais que afetam um julgamento desses. Porém continuar fazendo isso no século XXI, digamos que seja “preguiça de pensar”.

Imagina só você chegando à noite e colocando uma barra de sabonete, uma garrafa, um espelho e meia dúzia de fitas na boca de sua mãe e dizendo:


“Oi mamãe, boa noite! Olha só que comprei para você na cidade”.


Sua mãe vai engasgar e morrer, ou seja, fazer isso com a natureza é matar aos poucos seus orixás, e assinar no futuro o fim de seus filhos. Lembra daquela parte que diz:


Portanto, tudo o que vós quereis que os homens vos façam, fazei-lhos também vós, porque esta é a lei e os profetas.” – Mateus 7:12


Uma vez me peguei pensando, imagina uma senhora, sabe aquelas que de tão puras em pensamento, parecem uma vozinha? Pense você, ela trabalhadora numa casa de Umbanda, em um dia de trabalho normal recebe um pedido de encaminhar folhas de uma sobra de banho nas águas de Oxum. Ela com todo fervor de sua fé coloca aquelas folhas dentro de uma saca plástica, para que na hora que estiver saindo do centro, jogue no córrego que passa perto da casa. Assim podemos marcar onde a caridade se transforma em um veneno, Ela na sua inocência joga aquela saca no córrego, pôs acha que está fazendo cumprir a ordem de seu orixá entregando as folhas nas águas de Oxum.


Muitos agora já tiram as pedras da saca para começar a me apedrejar, calma gente eu me explico!


Está certo ela jogar a saca com as folhas no córrego?


Não está.


Ela nunca deve fazer então o que seu orixá pediu?


Sim, ela deve sim fazer o que o orixá pediu.


Mas vamos refletir: o que faz mal é a saca plástica, pois é um material que não é biodegradável, e pode num futuro ajudar a causar uma enchente, que ao invés de ajudar uma pessoa, vai prejudicar dezenas.

Olha só a caridade indo embora.

Bom ai falo, se a mesma senhora tivesse tirado o objeto saca plástica, uma maravilha moderna negativa, a caridade estaria perfeita, pois só as folhas no rio estariam cumprindo seu papel não prejudicando em nada o Meio ambiente.

Viu só o que uma simples saca plástica pode fazer num trabalho de umbanda, pior que um obsessor. Temos também o caso dos alguidares e garrafas nas esquinas das ruas e avenidas, alem de uma forma suja e incômoda para as pessoas que não são de nossa religião. Pare para pensar o que um alguidar ou uma garrafa quebrada pode ocasionar se uma pessoa idosa, com sua visão já afetada pela idade passando por esse local, se corta com um caco? Será que os orixás aprovariam isso? Eu realmente acho que não. O que poderíamos fazer para que isso não acontecesse?

Substituir, por exemplo:

      • Copos plásticos e de vidro por coités, bambus e cascas de laranja;

      • Alguidares e pratos plásticos e de vidro por gamelas de madeira reflorestada, folhas de mamona e de bananeira;

      • As encruzilhadas urbanas por encruzilhadas nas matas, respeitando os produtos biodegradáveis, ou seja, que a própria natureza vai regenerar;

      • Velas com parafina derivada do petróleo e corantes artificiais, por velas de cera de abelha de criadores.


No Brasil temos inúmeros recursos naturais, somos um país privilegiado. Em nosso vasto território temos em abundância recursos minerais, hídricos e vegetais.

Será por acaso que a Umbanda surgiu neste país?

Como já sabemos Orixás da Umbanda vinculam-se às forças da natureza, o ar é de Oxalá, as pedreiras são de Xangô, o mar é de Iemanjá, os rios e cachoeiras são de Oxum, as chuvas de Nanã, as matas e a fauna de Oxossi e Ossaim, e os metais de Ogum.

Temos como característica um povo que possui, na sua formação, uma enorme religiosidade. Temos como marca genética a miscigenação. O brasileiro tem as feições de todo o planeta, razão pela qual ensinaremos a espiritualidade para o mundo, essa espiritualidade brota da Umbanda, tendo como base a pureza das Crianças, a simplicidade dos Caboclos e a humildade dos Pretos- Velhos.


Axé a todos!
Michel Borges

domingo, 7 de junho de 2009

SETE LINHAS DA UMBANDA

Olá irmãos visitantes, recebam nosso fraterno saravá!!
Não estamos muito habituados com a "net", por isso pedimos desculpas por falhas possíveis, ok?

Bem, vamos transmitir nossa singela opinião a respeito das famosas sete linhas de Umbanda.
Desde sua oficialização como religião em 1908, prega-se a divisão da Umbanda em sete linhas, mas o que são estas linhas? Seriam 7 Orixás? Sete raios? Outra pergunta, por que 7 e não 9 ou 16?
Entendemos que seria muita pretensão nossa, encarnados em um mundo onde ainda nos preocupamos mais com a matéria do que com o espírito, querer determinar em quantas energias ou níveis enegéticos divide-se o universo. Podemos, no máximo, falar de nosso planeta e ainda assim sem muita certeza. Portanto vamos a nossa explicação sobre as tais 7 linhas.
Aprendemos que tudo que existe é energia mais ou menos condensada e esta energia tem a mesma fonte que é o Criador incriado, a causa primária de todas as coisas, Deus. Esta energia manifesta-se por diversos meios, mas sempre provocando luz, movimento, som e cores.
Nosso campo de percepção luminosa e sonora é muito pequeno; identificamos fisicamente somente 7 cores e 7 tons sonoros. Por isso resolvemos admitir que vivemos em um universo setenário. Porém, devemos nos lembrar que existem sons e cores não percebidos por nós, encarnados.
Entendemos que as 7 linhas de Umbanda foram assim determidas pelo astral porque quando a Umbanda foi planejada no plano espiritual, foram escolhidos os níveis energéticos que dariam sustentação aos seus trabalhos, não porque o universo é dividido somente em 7 energias, entenderam?
Vejam que deram nomes de Orixás para as 7 linhas, mas em cada terreiro temos orixás diferentes para elas, quem está certo?
Sabemos que a energia nos chega como luz branca, completa, pura, sem estar polarizada em positivo e negativo, neutra. Para que possamos receber esta energia, quando encarnados, ela foi dividida, assim nós recebemos apenas parte dela de cada vez (claro que esta é uma explicação didatica, a coisa é um pouco mais complicada).
A direção suprema do planeta, determinou que a cada reencarnação nós ficariamos sob a guarda de determinados Orixás, estes seriam os responsáveis por dosarem esta energia em nossas vidas.
A Umbanda utiliza-se de apenas 7 níveis desta divisão energética, porque assim foi determinado quando a espiritualidade a programou (não porque só existem 7 Orixás).
Para que não houvesse problemas de identificação, as energias ligadas aos trabalhos umbandistas são as mesmas ligadas aos signos do zodiaco. Assim, ao identificarmos nosso signo, sabemos qual dos 7 planetas nos influencia e daí chegamos a característica principal que precisamos trabalhar na atual reencarnação, entenderam?
Independente dos nomes que deram para as 7 linhas, elas nos influenciarão sempre, mas uma delas nos banhará com mais intensidade.
Quanto aos Orixás, ficamos assim:
Nossos irmãos da Africa nos legaram um conhecimento básico de 16 Orixás; dentro destes 16 cada casa trabalha com aqueles que sua direção espiritual determinou, de acordo com os trabalhos a serem levados a efeito naquele ambiente. Em nosso terreiro, por exemplo, nós trabalhamos com 12 Orixás, Oxalá, Ogum, Oxossi, Xango, Obaluae, Yemanjá, Yansã, Nanã, Ossanhe, Oxum, Oxumare e Ibeji. Destes apenas 9 dão paternidade, mas isso já entra muito em nossos estudos esotéricos (ocultos).
Portanto se existem casas de Umbanda trabalhando com Ewá, Obá, Logunedé e Loko é porque assim foi determinado pelo Alto.

Peço que comentem o assunto, é muito bom para nosso crescimento.

Muita paz a todos e saravá fraterno,

Pai Roberto Mundstein

sábado, 2 de maio de 2009

Saravá irmãos de fé!

Tento começar hoje uma pequeno projeto de divulgação de meu entedimento sobre a umbanda, afim de desenvolver novas ideiais e adiquirir novos conhecimentos. Espero trazer parceiros com textos que vão enriquecer nosso conhecimento. Primeiramente sejam todos bem-vindos, umbandistas e não umbandistas. A todos coloco a seguinte regra, estou aqui para agregar conhecimento a fim de enriquecer meu conhecimento e aos interessados. Por tanto não perderei tempo debatendo com coisas que não vão chegar a lugar nenhum, como exemplo se umbanda é ou não é religião de Deus(rsss.) Quem não gosta do tema por favor abandone o blog nesse instante e me poupe trabalho de deletar comentarios que irão gerar discuções. Tenho o seguinte pensamento. Todo ser evoluido tem condições de mesmo não aderindo as ideias de outro ser, respeitalas e quando for de interesse tentar entende-las.


Vamos lá


Zélio Fernandino de Moraes


Na Umbanda, existem diversas ramificações onde podemos encontrar influências indígenas, Africanas, esotéricas e a Umbanda popular,onde encontrar o sincretismo¹ é muito comum.


Não existe uma fonte única que reflita a origem da Umbanda². Cada vertente tem as suas origens e história. Mas na década de 1970, aceitou-se que Zélio Fernandino de Moraes³ teria sido o anunciador da Umbanda através do Caboclo das Sete Encruzilhadas em determinados moldes, fazendo com que ela pudesse ser institucionalizada como religião. Porém, o trabalho dos guias (pretos velhos, caboclos, crianças, exus, etc.) é bem anterior a Zélio.

Mantém-se na Umbanda o sincretismo religioso com o catolicismo e os seus santos, assim como no antigo Candomblé dos escravos, por uma questão de tradição, pois antigamente fazia-se necessário como uma forma de tornar aceito o culto afro-brasileiro sem que fosse visto como algo estranho e desconhecido, e, portanto, perseguido e combatido.

A Umbanda crê em um Deus unico que emana energias conhecidas como Orixás, que são energias ou forças da natureza que estão presentes em todos os lugares, influenciando as pessoas e irradiando energias que mantém o equilíbrio natural dos elementos em relação ao universo.

Ao contrario de que muitos pensam a Umbanda não é codificada,ou seja, não exite livro ou pessoa que imponha regra a religião. Porem é de consenso que na umbanda não se cobra, não se utiliza sangue e não faz o mal em meu pensamento particular traduzo esse não fazer o mal em não ferir o Livre-arbítrio de ninguém.

Vou ficando por aqui até uma proxima oportunidade.

Axé a todos!
Michel Borges



¹ Associação de Santos Católicos aos Orixás Africanos.
² 15 de novembro de 1908, data comemorativa da religião umbanda e do advento do caboclco das 7 encruzilhadas.

³ Zélio Fernandino de Moraes dedicou 66 anos de sua vida à Umbanda, tendo retornado ao plano espiritual em 03 de outubro de 1975, com a certeza de missão cumprida. Embora não seguindo a carreira militar para a qual se preparava, pois sua missão mediúnica não o permitiu, Zélio Fernandino de Moraes nunca fez da religião sua profissão. Trabalhava para o sustento de sua família e diversas vezes contribuiu financeiramente para manter os templos que o Caboclo das Sete Encruzilhadas fundou, além das pessoas que se hospedavam em sua casa para os tratamentos espirituais, que segundo o que dizem parecia um albergue. Nunca aceitara ajuda monetária de ninguém era ordem do seu guia chefe, apesar de inúmeras vezes isto ser oferecido a ele.