quinta-feira, 7 de outubro de 2010

POLÍTICA, CIDADANIA E RELIGIÃO

Pois é meus irmãos, no que diz respeito ao Rio de Janeiro, a Umbanda perdeu dois grandes representantes na câmara estadual e federal. Os Átila Nunes não foram eleitos. Temos certeza de que alguns umbandistas estão neste momento agradecendo aos céus pela derrota dos Átilas. Contudo, independente do que pensam e dizem alguns, nós estamos tristes.
Aqueles que nos conhecem sabem quanto somos avessos à mistura de Umbanda com política; não permitimos propagandas em nosso terreiro, se algum candidato aparece é tratado como quaisquer outros, pois nossa casa é casa de caridade e não um palanque para comissios, mas agora é hora de falarmos sobre esta perda.
Não se trata de misturarmos política com religião, é antes uma conscientização sobre a maneira que funciona o Estado brasileiro.
Apesar de sabermos que política e cidadania são palavras que tem o mesmo entendimento, sendo apenas de origens linguísticas diferentes, para nossos dias foram dados significados diferentes a ambas. Quando mencionamos a palavra política todos pensam imediatamente em partidos, câmaras, parlamentos, falcatruas, etc. Quando falamos em cidadania todos pensam em ações humanitarias, exercício dos deveres, recebimento dos direitos, pronunciamento de nossos pensamentos, altruísmo, etc. Pois é assim, com esta maneira de entender estas palavras que vamos falar a respeito deste tema: POLÍTICA, CIDADANIA E RELIGIÃO.
Falando de política:
Nosso Estado é laico, ou seja, não possuimos uma religião oficial; nossa constituição nos dá liberdade de crença; discriminação religiosa é crime, beneficiar pessoas ou instituições por causa da religião também é. No entanto, sabemos que nossos deputados sempre procuraram um meio para ajudar aos que seguem seus passos religiosos, daí montarem grupos dentro das camaras formando bancadas de evangélicos e católicos; estes deputados não têm medo de declararem-se como tais, procuram caminhos legais para isenção de impostos e taxas em benefício das igrejas que seguem, estão sempre em campanhas para implantarem leis em acordo com suas linhas de pensamento religioso, enquanto isso nós sequer conseguimos um representante para termos voz quando tentarem provar que nossa Umbanda está acabando e que sequer temos uma religião, no máximo uma pequena seita. Sentiremos falta daqueles que jamais tiveram vergonha de afirmarem que são umbandistas e, com coragem, defenderam nossa religião no plenário da câmara estadual do Rio de Janeiro quando fomos acusados de matarmos crianças em nossos rituais. Nós não vimos nenhum político se levantar contra as invasões aos centros e terreiros no Rio e em outros estados como se levantaram os Átilas. Sabemos que eles não são perfeitos, não são santos, também nós não os somos. Não queremos uma câmara umbandista apenas para votar o dia oficial deste ou daquele Orixá, mas queremos ter voz e vez na política sim, para que possamos ter isenções de taxas e impostos, para que possamos ocupar um pedaço da areia nas praias e louvarmos nossos Orixás, queremos ter a licença dos homens para entrarmos nas matas, porque a licença dos Orixás já temos, e lá realizarmos nossas macaias em paz, com segurança e consciencia ecológica, queremos realizar casamentos com cobertura de cartórios, como já ocorre em outros meios religiosos, queremos responder a um censo que respeite nossa fé e não a encubra com outros adjetivos. Estas são algumas coisas que poderemos perder, não por causa da enorme falta que farão os Átilas, mas porque faltará aquele que levanta a mão e agradece por ser chamado de "deputado macumbeiro".
Falando de cidadania:
Quando saimos de nossas casas para votar estamos exercendo um ato de cidadania, quando votamos em alguém por revolta contra o sistema também é um ato cidadão.
Quando vamos aos nossos terreiros de cabeça erguida ou, infelizmente, escondidos por vergonha, também é cidadania.
Todos nós umbandistas queremos um estado que não possua bancadas congressistas em prol desta ou daquela religião. Queremos exercer nossa cidadania livremente, sem medo de discriminação, queremos que nossos representantes esqueçam suas igrejas quando estiverem legislando pelo povo. Queremos que nossos vereadores, deputados, senadores sejam realmente representantes da nação, falando e agindo a favor de todos sem beneficiar este ou aquele. Isto é cidadania em um Estado laico.
Nós, na Umbanda, aprendemos a não perguntar se você é rico, pobre, ateu, curioso ou político, questionamos apenas - "Em que posso ajudá-lo?" É assim que gostaríamos fossem nossos representantes.
No mais queremos parabenizar aos Átilas pela coragem de seguir os passos do saudoso Átila Nunes, o deputado macumbeiro e como este grande defensor da Umbanda, nós queremos terminar este texto parafraseando nosso irmão - "Saravá, saravá sua banda!"

Pai Roberto Mundstein

segunda-feira, 27 de setembro de 2010

Prece de Cáritas

 
Saravá irmãos de fé!

                Ontem dia 26 de Setembro de 2010, depois de muitos "encontros e desencontros",  fui conhecer  Tenda Espírita Mamãe Oxum, apesar de já conhecer o trabalho da casa. Nunca conseguia chegar até seu local físico, e ontem foi o dia. Festa de Ibeji!
Como elogio a casa, abaixo coloco a Prece de Cáritas que a muito tempo não escutava ser recitada com tanto Axé ,como escutei ontem pelo corpo mediúnico! Parabéns a Tenda Espírita Mamãe Oxum, pela excelente pratica da Umbanda!


Grande abraço, Axé a todos!


Prece de Cáritas
Deus todo poderoso,
que sois todo Poder e Bondade,
dai a força àquele que passa pela provação,
dai a luz àquele que procura a verdade;
ponde no coração do homem
a compaixão e a caridade.

Deus !
Dai ao viajor a estrela guia,
ao aflito a consolação, ao doente o repouso.

Pai !
Dai ao culpado o arrependimento,
ao espírito a verdade,
à criança o guia, ao órfão o pai.

Senhor !
Que a vossa bondade se estenda
sobre tudo o que criastes.

Piedade,
senhor, para aqueles que vos não conhecem;
esperança para aqueles que sofrem.
Que vossa bondade permita aos Espíritos consoladores derramem
por toda a parte a paz, a esperança e a fé.

Deus !
Um raio,
uma faísca do vosso amor pode abrasar a Terra;
deixai-nos beber nas fontes dessa
bondade fecunda e infinita,
e todas as lágrimas secarão,
todas as dores se acalmarão.

Um só coração, um só pensamento subirá até Vós,
como um grito de reconhecimento e amor.
como Moisés sobre a montanha,
nós vos esperamos com os braços abertos,

Ó poder !
Ó bondade !
Ó Beleza !
Ó perfeição

e queremos, de alguma sorte,
alcançar vossa misericórdia.

Deus !
Dai-nos a força de ajudar o progresso,
a fim de subirmos até Vós;
dai-nos a caridade pura;
dai-nos a fé e a razão;
dai-nos a simplicidade que fará das nossas almas
o espelho onde deve se refletir vossa imagem.

Que assim seja !!

Graças a Deus

quinta-feira, 12 de agosto de 2010

EXUMANIA

EXUMANIA

Tomamos a liberdade de separar um parágrafo de apresentação escrito por nosso irmão para que os leitores tenham condições de saber como o texto deve ser lido. Suprimimos também um parágrafo inicial que julgamos dispensável para nosso objetivo neste blog.

Umbandista – siga os ensinamentos de Paulo Apóstolo: “Examinai tudo e retendes o que é bom!!”

Boa leitura.

Sarava fraterno,

Pai Roberto Mundstein




Texto de autoria de Cláudio Zeus, postado em seu blog Umbanda Sem Medo

Antes ainda que leiam quaisquer de nossos textos é preciso que se diga que RACIOCÍNIO e MENTE ABERTA para isto são quesitos extremamente necessários, pois a defesa irracional e desmedida de qualquer princípio, apenas porque assim aprendemos e achamos que é como tem que ser, chama-se FANATISMO e isto não é positivo em qualquer crença já que nos bloqueia o raciocínio e nos impinge a aceitar somente o que aprendemos, na maior parte das vezes no "de boca em boca", tendo sofrido neste caminho, as mais diversas variações segundo as vontades dos que repassaram e dos que nos "ensinaram".
Achou alguma coisa que contradiz o que você aprendeu? Então pare, pense, repense, compare, chame lá de dentro de você mesmo uma coisa chamada RAZÃO e depois então monte sua própria conclusão.

Vamos ao texto do Cláudio:

Vamos ao nosso primeiro tema, já polêmico e desconcertante, a partir do momento em que por motivos de defesa do mito (até com certa razão) alguns passaram a criar defesas tão fantasiosas quanto contradicentes que, pelo que se observa, acabou criando um movimento que nós apelidamos de EXUMANIA.
Observemos, navegando pelas Comunidades de Umbanda que entre um, dois ou cinco temas diferentes, sempre temas semelhantes aparecem em seguida abordando quase sempre as mesmas perguntas:
Quem é Exu? Exu é diabo? Exu é Orixá? Exu faz o bem e o mal? Mata-se para exu na Umbanda? Exu dá e tira? Exu é catiço? Você mataria um bicho pra salvar uma vida humana?
Pode observar que os temas sobre Exus estão presentes sempre e em muito maior quantidade do que qualquer tema sobre Pretos Velhos, Caboclos, Crianças (esses sim os verdadeiros representantes da Umbanda no Brasil), sendo que esses três últimos, quando são evocados, pouquíssimas são as participações. Parece até que conhecer sobre Exus é conhecer Umbanda!
Mas por que essa atração por Exus e Pomba giras? O que essas entidades trazem consigo que tanta curiosidade e ao mesmo tempo tantas controvérsias criam? Você mesmo vai chegar à sua conclusão ao final desta matéria. Mas leia-a por completo para que esta conclusão e outras mais não pequem pela ausência de subsídios razoáveis.
Vamos "começar do começo" (redundância forçada) observando que quando não existia Umbanda no Brasil (antes de 15 de novembro de 1908) já existiam Caboclos e Pretos velhos que baixavam nas já famosas "macumbas cariocas" que já eram, em síntese, uma mistura de cultos. Só que neste período "baixavam", SEM LEI, SEM DOUTRINA, SEM OBJETIVOS MAIORES que não fossem o atendimento a algumas necessidades humanas imediatas em sua maior parte e, principalmente sem que se importassem de estarem fazendo um bem para alguém e/ou fazendo um mal para outrem por decorrência, sendo a maioria dos mesmos que assim se apresentavam, usados pelos humanos, tanto para bons procedimentos quanto para demandas.
Tudo indica que ainda no Plano Astral já haviam entidades que se importavam com isto e, segundo a história da criação da UMBANDA, essas entidades não encontravam campo para suas atuações positivas no meios desses cultos desorganizados e sem lei e por isto precisavam se reunir em grupamentos com leis e objetivos bem discriminados, o que as levou a iniciarem um movimento Astral que culminou na Criação da UMBANDA anunciada pelo CABOCLO DAS SETE ENCRUZILHADAS.
Pois muito bem. Paralelamente e até concomitantemente, existiam grupamentos mediúnicos que lidavam com entidades que se apresentavam como Exus num outro movimento espiritual que recebeu o nome (apelido*) de QUIMBANDA. Nesses grupamentos a "magia" era totalmente voltada para objetivos materiais e imediatos, com tentativas de alcance de objetivos, fosse por que meios fossem, na base da força e através de espíritos bastante "materializados" e normalmente "marginalizados" que não se importavam com o que deveriam fazer - faziam desde que lhes fossem pagos certos "presentes", dentre os quais o sangue sacrifícial de bodes, galos e até bois.
Numa análise rápida e superficial porque não nos interessa entrar muito por esta porta, isto era a QUIMBANDA no período em que a UMBANDA aconteceu e estava se firmando e assim eram os EXUS que se conhecia então - espíritos marginais, SEM LEI, que faziam qualquer coisa por trocas e presentes, bem semelhantes (mas nem de longe iguais) ao que seria o tal do diabo das religiões católicas.
Calminha aí os EXUMANÍACOS, porque estamos falando de um passado que deve ser conhecido, até para que entendamos o que são os EXUS DE UMBANDA nos dias de hoje.
Continuando ... Essas entidades eram tão perigosas por sua total marginalidade frente à evolução e a qualquer tipo de LEI ou DOUTRINA, que eram temidas, sabendo-se até mesmo de locais em que os médiuns eram acorrentados à parede, tal era o grau de selvageria e agressividade que lhes era peculiar quando "montados" por seus Exus.
É preciso que se explique bem e LOGO AQUI, que o termo KIUMBA, hoje tão usado, foi criado muito recentemente, na década de 60, se não me engano, pelo finado W.W. da Matta e Silva, no intento de diferenciar os Exus que já estavam vindo na Umbanda, dos Exus que ainda se mantinham SEM LEI, mas que esse termo é reconhecido apenas por nós - é uma classificação NOSSA - porque você nunca viu ou ouviu e nem ouvirá ou verá, qualquer entidade que se apresente selvagemente numa gira de desobsessão ou descarrego se apresentando como KIUMBA "X", KIUMBA "Y" e daí por diante. E se viu ou ouviu pode estar certo de que foi O MÉDIUM FALANDO PELA ENTIDADE e não esta em verdade!
Se voltarmos ao início da VERDADEIRA UMBANDA (a que foi criada em 1908 porque o que havia antes era qualquer coisa menos UMBANDA), um culto com claros objetivos de EVOLUÇÃO ESPIRITUAL DELES E NOSSA, ATRAVÉS DA CARIDADE, veremos até que Exus não eram permitidos a não ser em casos muito especiais e sempre sob comando de entidades espirituais que já tinham condições de serem UMBANDISTAS, o que não os impedia de tentarem ir se aproximando desse NOVO CULTO, como AUXILIARES, ao mesmo tempo em que iam aprendendo com os mais evoluídos (MAIS CONSCIENTES DAS "NOVAS" VERDADES ESPIRITUAIS) novas formas de comportamento e de visão da espiritualidade inclusive, tudo muito diferente do que conheciam nos grupamentos QUIMBANDISTAS de onde eram provenientes.

Também paralelamente ao MOVIMENTO UMBANDISTA ORIGINAL desenvolviam-se outros grupamentos mediúnicos mais abertos (se podemos dizer assim), menos rígidos nos controles às entidades e que passaram a se auto-rotular de Umbandas, APÓS TEREM CONHECIMENTO DA EXISTÊNCIA DESSE CULTO, já que viram esse "direito" no fato de também darem passagem a Pretos Velhos e Caboclos (e só por isto já que as doutrinas e ritualísticas eram totalmente diferentes).
Esses, talvez por suas raízes africanas e o reconhecimento de um "orixá" de nome Exu em suas hostes, foram mais condescendentes em relação à participação dos Exus CATIÇOS (humanos desencarnados e não orixás) em seus terreiros, o que veio a confundir muito, nos dias de hoje, quando se tenta descobrir se os Exus sempre estiveram presentes na Umbanda ou se não!
A resposta certa para essa dúvida é NÃO! As falanges de Exus não faziam parte das falanges ou grupamentos espirituais que deram início à Umbanda Original no Brasil e sim de alguns cultos que se agregaram e se auto-rotularam UMBANDAS já no período em que ela ia crescendo em número de Tendas e ia se alastrando naquela velha forma deteriorante do "de boca em boca". Lembremo-nos que nessa época, nem o rádio existia no Brasil e jornais, uns poucos que muito certamente não contribuiriam com a divulgação de outro culto que não fosse o catolicismo, religião dominante nesse período. Foi somente em 1933 que foram publicados os primeiros artigos sobre Umbanda, escritos por Leal de Souza sob o título: "O Espiritismo e as Sete Linhas de Umbanda", mas quando vieram a público já haviam se criado muitas outras Umbandas, incluindo-se aí a criada pelo Caboclo Mirim, que em fundamentos e ritualística, muito já diferia do que fora proposto antes, exceto em seus objetivos principais (isto não é uma crítica e sim uma constatação e fatos).
Pois muito bem, o fato é que algumas entidades que pertenciam à Quimbanda em suas formas de Exus, foram, ao longo do tempo, adentrando às mais diversas Umbandas que se criaram então e, quando elas eram UMBANDAS DE VERDADE (as que mantinham o lema de trabalhar com espíritos para a caridade e a conseqüente evolução destes) eram doutrinados (recebiam controle e orientação sobre seus comportamentos e determinações sobre o que poderiam ou não poderiam fazer) e recebiam o título de "Exus Batizados na Lei de Umbanda" (batizados = iniciados na Lei) ou simplesmente "BATIZADOS" e, ao longo do tempo, eram considerados "COROADOS" aqueles espíritos que já tinham dado provas de que tinham aprendido a trabalhar segundo as Leis de Umbanda e nos quais se podia confiar como verdadeiros amigos.
Na fase anterior à de "BATIZADOS" recebiam o título de EXUS PAGÃOS, que seria o que hoje chamamos de KIUMBAS. Mas perceba bem que todos esses "títulos" lhes era dado por nós, os encarnados, porque eles todos sempre se apresentaram (e se apresentam ainda hoje) como Exus, fossem pagãos, batizados ou coroados.
Em Terreiros de UMBANDA DE VERDADE (pouco importando aí a raiz doutrinária desta Umbanda, se africana, kardequizada, católica, etc.), quando Exu chegava era para TRABALHAR e sempre, como já disse, sob controle de entidades Chefes de Terreiro (Caboclos ou Pretos Velhos) que inclusive, em muitos casos, mesmo nas giras a eles dedicadas (quando existiam) mantinham-se em terra e determinavam qual Exu poderia falar com o público, qual não estava ainda preparado, o que poderiam fazer ou não e depois, na hora certa, os mandavam "subir".
Por que eu usei o termo UMBANDA DE VERDADE? Porque já haviam muitos Terreiros em que os Exus chegavam e, por suas capacidades de envolvimento psicológico, sempre com boas conversas, elogios aqui e ali, um abraço, um trabalhinho de auxílio muito bem feito acolá, iam paulatinamente, impondo seus ritmos e formas de trabalho a ponto de alguns Terreiros que continuaram se dizendo "de Umbanda" irem aumentando o número de Giras de Exus, diminuindo as de Pretos Velhos e Caboclos e chegarem a passar o COMANDO GERAL DE SUAS GIRAS a esses mesmos que deveriam estar ali para aprenderem com espíritos de maior conhecimento e evolução.
O que mais acontecia (e acontece até hoje) é que os ESPÍRITOS EXUS que assim procediam, vistos pelo prisma da UMBANDA DE VERDADE, não eram sequer COROADOS - no máximo BATIZADOS e com algum conhecimento dos princípios e objetivos Umbandistas, INDEPENDENTE do conhecimento que tinham sobre como desmanchar trabalhos ou fazê-los, sobre como influenciar o mental de pessoas sempre carentes, como incitar-lhes a FÉ neles mesmos (tudo aprendido ainda pelos lados da Quimbanda) e, como eram no máximo "BATIZADOS" mas não CONFIRMADOS (ou COROADOS) na Lei de Umbanda, continuavam, embora em menor escala, tanto ajudando quanto atrapalhando a vida alheia, como em casos, em que se criavam DEMANDAS entre Terreiros (não querem saber a verdade?), por exemplo, sempre comandadas pelo "Exu Tal" ou a "Pomba Gira Qual" que a exemplo dos "deuses" mitológicos, inclusive o bíblico Jeová em épocas mais remotas, eram invocados para guiarem seus "filhos de fé" contra outros "filhos de fé".
E como eu posso afirmar que esses Exus não eram CONFIRMADOS ou COROADOS?
O simples fato de saberem ser ESPÍRITOS AUXILIARES (que deveriam estar aprendendo mais) e envolverem os encarnados mais ingênuos até o ponto de lhes ser concedida a Chefia do Terreiro já nos demonstra isto, pois Exu COROADO (hoje também chamado GUARDIÃO) tem que saber muito bem o seu lugar dentro da UMBANDA e BATER CABEÇA para Pretos Velhos e Caboclos e nunca tentar fazer com que esses valores se invertam, porque aí o Terreiro já virou de QUIMBANDA, ainda que insistam em chamá-lo de "Umbanda" - verdade dura para muitos, eu sei. Mas VERDADE PURA!
Pois muito bem. Por toda essa história (que ainda foi muito superficial) dos Exus que vieram das Quimbandas, somando-se às lendas (itans) sobre o "Exu Orixá" dos cultos Nagôs que também auferiam a esse mito personalizado comportamentos nada adequados à civilização e ao que a sociedade compreendia e compreende como correto, tanto o "Exu Orixá" dos cultos afro, quanto o "Exu Catiço" das Quimbandas e Umbandas, foram assemelhados à figura também mitológica do diabo católico ... inclusive pelos próprios quimbandistas e muitos umbandistas (outra verdade dura) que parecem ter adorado usar essa imagens diabólicas que o comércio criou como de Exus em suas firmezas, tronqueiras, etc., o que corroborou ainda mais para a crença de que "EXU É O PRÓPRIO DIABO", crença esta que perdura e é incentivada e até aclamada por certos segmentos de certas ... "igrejas".

Com o ataque direto dessas "certas igrejas" ao mito Exu que se acentuou mais recentemente (desde a década de 70), impondo-lhes a culpa de todos os males da humanidade (Oh, Céus!), aconteceu uma reação por parte dos que vou chamar espiritualistas, exatamente em defesa do mito, o que seria até apreciável se esse movimento contra não extrapolasse e não começasse a atingir níveis fantasiosos e fanatizantes que, muito mais do que apenas defenderem e demonstrarem as incoerências, exageram e chegam a creditar a Exu (que em vários textos são confundidos - "Exu Orixá"/"Exu Catiço") até comandos da Natureza que nem aos ditos Orixás são dados. Em resumo, estão tentando, em muitas vezes, desqualificar as afirmações de que "Exu é o diabo" através de afirmações desprovidas de fundamento (por não conhecerem a verdadeira essência das falanges de Exus) e fantasias oníricas criadas por suas próprias mentes ou até mesmo por algum Exu apenas batizado que os acompanhe, intua e que se regozije com esses "NOVOS ATRIBUTOS" que estão usando para enaltecê-lo(s), ou seja, muita incoerência para combater incoerências.

E mais incoerências ainda vemos, quando no meio desses mesmos que afirmam que EXU NÃO É O DIABO, há os que ainda mantém em suas tronqueiras e até em uns certos lugares que não pretendo citar agora, onde lhes vão render homenagens diversos Terreiros, AS MESMAS IMAGENS DEMONÍACAS criadas há dezenas de anos atrás para representarem quem...? OS EXUS!
A mania de Exus (ou EXUMANIA) vem crescendo tanto em função dessas "maravilhas" que agora lhes estão creditando, que encontramos até pessoas que deveriam ser mais espertas pelo nível cultural que demonstram, mas que são capazes de afirmar, com todas as letras, que os Exus são entidades em evolução (até aí tudo bem) em nível até superior ao dos Pretos e Caboclos, o que só pode acontecer ou ser verdade se os Pretos e Caboclos a que se referem forem tão Exus quanto os que, mais honestamente, se apresentam como tal - mais uma verdade dura que muitos insistem em não ver - fato este muito comum nas Quimbandas (mesmo as que se rotulam de umbandas), onde quem manda é Exu.
O pouco conhecimento sobre a essência das falanges de Exus (e os excessos de fantasias e "mistérios" que se divulgam) faz com que alguns afirmem (ora vejam só) que estando frente a frente com um Tranca Ruas, por exemplo, logicamente estão frente a um guardião, o que pode ser a maior das inverdades. Esquecem-se (ou nunca souberam pela pouca informação que têm nesse sentido) que os Exus batizados e os pagãos (kiumbas) também se apresentam com os mesmos nomes (Tranca Ruas, Tiriri, Marabô, etc.), não sendo o nome de falange qualquer segurança que garanta estar-se falando com um coroado.
E aí ... como Exu virou chamariz até mesmo para giras de terreiros que pretendem medir seus potenciais pelo número de assistentes que lota suas dependências (pobres cegos, guias de cegos), pipocam no mercado, além das imagens diabólicas que demonstram que Exu não é diabo (?), cursos e mais cursos sobre "o mistério" Exu, que só virou mistério mesmo pra incentivar a curiosidade dos iniciantes.
Há pouco tivemos acesso a um texto de um certo autor que diz ter psicografado uma mensagem de um certo Exu que, entre outros exageros, chega a afirmar em um trecho de "sua fala": "Eu sou movimento. Não sou as ondas do mar, mas eu as faço movimentar-se...Não sou as estrelas na abóbada celeste, mas meu movimento faz a sua luz chegar até as retinas humanas...Não sou o ar que perpassa as folhas, mas as suas moléculas e partículas atômicas são mantidas em coesão e movimentadas pela minha força...."
Sem pretender "espichar assunto", só pela possibilidade de uma ENTIDADE (UM ESPÍRITO como qualquer outro) ter tentado sugerir as possibilidades acima, já poderíamos dispensar até "DEUS" de seus atributos, já que se as partículas atômicas são mantidas em coesão pela força de UM ESPÍRITO ( o tal "Exu" psicógrafo), provavelmente também foi ele quem criou e mantém o Universo.
Mais incrível ainda do que o fato de um Exu poder ter dito isto realmente
(afinal seria um Exu, envolvente como a maioria deles, não se sabendo se pagão ou batizado, porque um coroado não cometeria este desatino), é o fato de as pessoas que leram não perceberem a incoerência (esta e outras). Isso se deve especificamente ao grau de envolvimento e encantamento que adquiriram, tanto com essa entidades quanto com as fantasias que se criam diuturnamente sobre "seus poderes", "suas forças", "seus direitos de julgar e penalizar" e um outro tanto de lendas que alardeiam por aí afora.
O que a EXUMANIA está criando?
Seguidores encantados, embevecidos por lendas e fanatizados que, além de não compreenderem as verdadeiras funções dos Exus na UMBANDA (provavelmente porque quem lhes ensinou também não sabia), ainda acham que, apenas por estarem freqüentando este ou aquele grupamento espiritual, o Exu que aparece por meio de suas mediunidades TEM QUE SER UM COROADO! Mas nem querem saber que foram muito e muitos antes deles que assim pensando, hoje PAGAM DÍZIMOS por terem tido suas vidas viradas "de ponta cabeça".
Hoje (como antes também) vemos alguns ditos "umbandistas" que acreditam que todo espírito que vem na banda é de Umbanda e, portanto, é um ILUMINADO.
Mas se são, pergunto eu, porque teriam que EVOLUIR através da CARIDADE, se vemos claramente que os que não mais precisam são poucos, pouco vêm nas bandas e quando vêm têm comportamentos totalmente diferentes da grande maioria? Será que nossos Terreiros são mesmo esse "chão de estrelas" que muitos julgam ser? Ou serão verdadeiramente "TRAMPOLINS" PARA A EVOLUÇÃO ATRAVÉS DA PRÁTICA DA CARIDADE?
E mais: Será que os "iluminados" têm mesmo que ficar alardeando "suas luzes" e "poderes" (ou pseudo-poderes) como o fito de impressionar as mentes mais necessitadas de tantas fantasias?
O que a EXUMANIA está criando?
"Experts" em Exus e ignorantes em Pretos Velhos, Caboclos, Crianças que volto a afirmar NÃO SÃO ERÊS, mesmo que muitos assim os chamem. E prova disto está na quantidade de tópicos que se abrem sobre Exus, sempre com participações maciças em todas as comunidades do Orkut, por exemplo, e quase nenhuma sobre Pretos Velhos, Caboclos ... E mesmo quando são abertos, muito poucos são os que se aventuram a dar seus pitacos.
Por que?
Em primeiro lugar pelo fato dessas entidades não serem tão "envolventes" (tão malandras, em outras palavras) e sim, muito mais sérias em seus comportamentos e ensinamentos - isso não agrada a todos!
Em segundo lugar, que acaba sendo uma decorrência do primeiro, a essas entidades quase não se homenageiam com lendas e pseudo-poderes magísticos, já que aprenderam a trabalhar "na surdina" e sem alardes. São apenas os trabalhadores sérios que não se coadunam com determinados tipos de comportamentos e "idéias", não os incitam e até os combatem quando necessário (estou falando de Caboclos e Pretos Velhos DE LEI e não os que são tão Exus quanto qualquer outro e como eles agem).
Por não serem tão "envolventes" quanto os Exus; por não haver nenhuma lenda que os coloque como "agentes controladores da Natureza e até do universo" (como no caso do "Exu" citado antes); por não poderem ser confundidos quase que sempre com o MITO EXU ORIXÁ dos Candomblés porque são reconhecidamente ESPÍRITOS (o que o pessoal parece não querer ver no caso de Exus); porque são sérios demais em suas determinações ainda que pratiquem um sorrisinho aqui e outro ali, naturalmente não despertam tanta curiosidade na aprendizagem do que gostariam e poderiam ensinar, o que se pode perceber claramente ao visitarmos Terreiros e observarmos a diferença de quantidade de PÚBLICO E DE MÉDIUNS que freqüentam Giras de Exus e Giras de Velhos e Caboclos numa grande maioria de Terreiros.
Ainda "girando" pelas Comunidades, vemos aqui e ali o uso daquela velha "frase clichê", o tal de "Orai e Vigiai". Mas o que estamos observando, tendo como um dos exemplos essa EXUMANIA, não é bem isto não - o VIGIAI está muito longe de ser compreendido!
A propósito. Você que nos lê, já observou como cresce o número de "EX"?
Entenda quem quiser e, principalmente quem PUDER!

domingo, 8 de agosto de 2010

LIXO DO UMBANDISTA

 Saravá irmãos de fé!

     Reflitam sobre o magnifico texto do irmão Rodrigo Queiroz, alguns vão achar o texto forte. Mas eu acho necessário!

Grande abraço, Axé a todos!
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Na prática litúrgica da Umbanda, a oferenda é um dos atos mais sagrados de conexão entre fiel e Divindade.

Toda religião tem sua prática ofertatória, quer seja uma fruta no Congá ou até uma nota de R$ 10,00 no envelope. Não importa, este é um ato de oferta, um ato de fé e cada religião tem a sua leitura própria de como deve ser esta prática.

Nas religiões naturais, de culto a Deus e Divindades na natureza, no geral estas religiões tem como pratica ofertatória a oferenda daquilo que vem da natureza, ou seja, flores, frutos, grãos etc.

A Umbanda é uma religião natural, ela entende a natureza física como pontos de força, santuário natural, sítio sagrado ou mesmo casa dos Orixás. E encontramos variadas formas de oferendas, tem oferenda para tudo, para energização, para descarrego, para abertura de caminhos, para prosperidade, para amor e por aí vai. O fato é que oferenda está presente no dia a dia do Umbandista.

Já que é tão comum o ato ofertatório e principalmente depositado na natureza ou nos pontos de força, como: cachoeira, mata, bosque, mar, encruzilhada... Fica a pergunta: o Umbandista foi sendo preparado para ter consciência ambiental ?

Nunca se falou tanto em meio ambiente, efeito estufa, caos planetário como nestes últimos anos. Todavia se não fosse algo tão sério não se falaria tanto. Claro que podemos ajudar muito fazendo cada um a sua parte, como diminuir o tempo do banho, selecionar o lixo, diminuir o uso do carro, etc.

Mas é realmente preocupante o que fazem por aí os Umbandista e demais religiões quando entram na natureza para uma prática sagrada e acabam profanando o espaço sagrado. É isso mesmo, profanando !

Você já observou a quantidade de lixo que fica no pé da árvore ? Na beira do rio ?

Assustado ? Como é que falo lixo ???

Sim, é lixo mesmo !

Este artigo vai ser assim mesmo, um tanto indigesto, é para provocar náuseas e quem sabe ao final, no seu vômito, você comece a evitar que os Orixás continuem tendo que tolerar nosso lixo.

Vamos à parte prática. Reflita comigo, ok ?

O conceito de oferenda é o ato religioso de interação do fiel com seu guia, Orixá e forças da natureza. Energeticamente o prana das oferendas é usado em beneficio de quem oferenda ou pra quem se destina, ou seja, quando uma oferenda é feita para terceiro. Magísticamente é a movimentação de energias e elementais em beneficio próprio ou de outrem. Isso é a síntese pratica de como funciona a oferenda. A Umbanda é o culto à natureza e na oferenda colocamos tudo que é natural.

Partindo deste pressuposto fica claro que o conjunto geral da oferenda deve ser um ato salutar para todos os envolvidos, ou seja, o fiel, a natureza e o Orixá. Pense, os pontos de força naturais são as casas dos Orixás, como a mata está para Oxossi, o mar está para Iemanjá, as cachoeiras estão para Oxum, as pedreiras para Xangô, etc.

Oferendar também é uma forma de presentear. Você gosta de receber presentes e eu também, porém no final a embalagem jogo no lixo e fico com o que é usual no presente.

Sejamos práticos e objetivos. O saquinho plástico não é oferenda. A garrafa não é oferenda. Os descartáveis não são oferendas. O que é oferenda?

As flores, frutos e comidas.

Se a Umbanda vê a natureza como sagrado, logo deve preservá-la. Todo cidadão precisa de uma consciência ecológica para o exercício da cidadania, mas com o Umbandista a coisa vai mais longe, ecologia é preceito religioso, e isso significa muita coisa.

O respeito com a diversidade ritualística que encontramos em nossa religião não pode ser confundido com tolerância aos abusos. Porem antes de julgar precisamos orientar.
Sei que existem muitos conceitos sobre oferendas e postura dentro dos campos sagrados. Certa vez me falaram que tudo que entra na mata não pode sair, ou seja, aquelas dezenas de sacolinhas plásticas que serviram apenas de condutores materiais, tinham que ficar lá. Os copos plásticos, garrafas e bandejas de isopor também. A justificativa: não tirar carrego da mata !

Oras, ou aquele lugar é sagrado e como tal é benéfico, ou é profano e prejudicial, temos que definir isso na mente.

Pelo lado energético ou pergunto: o que vai me atrair negatividades. São as sacolinhas que por sinal são isolantes ou minha vibração mental e emocional ?

Se é a opção dois então qualquer ambiente me fará mal, certo ?

Então vamos descartar esta obrigatoriedade de poluir o espaço sagrado. Até porque esta pratica é mais atual do que parece.

Os antigos zeladores do culto de nação e vertentes afros, anterior á Umbanda ensinavam que as oferendas deviam ser depositadas sobre folhas de bananeira, chapéu-de-couro ( erva ) ou folhagens do Orixá ofertado. Isso é sabedoria natural, não existiam ainda campanhas ambientais. Mais que isso, eles ensinavam que para natureza só vai o que ela ofertava. Os elementos orgânicos se decompõem no solo e viram adubo, muitas vezes as sementes brotam e uma nova vida nasce naquele ambiente.

Contudo, hoje não vemos isso, o que encontramos são garrafas estilhaçadas ao redor de árvores, panos nobres servindo de toalha para o “ banquete divino “ e muitos descartáveis que não oferecem nenhuma utilidade.

Além de cuidar do meio ambiente, precisamos zelar pela boa imagem da religião. Pois, para aqueles que não são adeptos, quando chegam em ambientes com estes “ restos “, criam uma imagem bastante distorcida do real significado das oferendas.



Questão de Postura

Há algum tempo foi notícia em Porto Alegre – RS uma oferenda na beira do rio Guaíba contendo 77 cabeças de bode, claro que sabemos que não tem nada de Umbanda nisso, mas não foi isso que a mídia local divulgou. Também em Curitiba – PR foi proibido a entrada de Umbandista para pratica de oferendas numa reserva florestal, devido ao excesso de lixo não orgânico deixado na natureza e nem preciso citar as milhares de encruzilhadas diariamente forradas por elementos nada agradáveis.

Muitas vezes estes excessos provém da Umbanda, no entanto já foi manchada a nossa imagem e precisamos de postura real e firme, no dia – a – dia do fiel Umbandista, aliado a divulgações e mídias como que realmente a Umbanda se porta á natureza.

Em São Paulo capital, dois cemitérios ganharam há seis anos um Santuário de Obaluaiê / Omulú para os fiéis promoverem seus cultos e oferendas. No entanto tivemos notícia que estes espaços serão desapropriados devido a depreciação do ambiente e a quantidade diária de animais mortos despejados ali.

Precisamos erradicar o contra – senso da má prática ofertatória. Para só depois conseguir mudar a imagem social.



Fazendo a Diferença

Foi preocupado com a violência urbana, privacidade e meio ambiente que o Sr. Pai Ronaldo Linares, presidente da Federação Umbandista do Grande ABC fundou há 30 anos o Santuário Nacional da Umbanda, um espaço que na origem era uma imensa pedreira e terra seca, hoje todo reflorestado com árvores tópicas, cachoeiras, rio e uma imensa área verde. O Umbandista tem toda liberdade e privacidade para realização de seus cultos e oferendas, inclusive em praças específicas para cada Orixá ou linha de trabalho. Hoje, 263 terreiros estão construídos nesta área e há 40 lotes disponíveis para aluguel diário aos interessados em fazer trabalhos na natureza. É aberto ao público geral sem restrições.
Lá sim, você pode fazer uma oferenda com panos, pratos, descartáveis, vidros etc, pois o Santuário conta com uma equipe de funcionários responsáveis pela limpeza, a coleta é seletiva, o que é reciclado tem seu destino certo, o que é orgânico vira alimento para o minhocário que produz o adubo utilizado para o plantio de 300 mudas mensais e faz parte do reflorestamento da Mata Atlântica que o Santuário mantêm.

Pai Ronaldo informa que o Santuário tem um compromisso muito sério com o meio ambiente, por isso são feitas três coletas semanais de lixo, totalizando uma média de 8 a 10 toneladas de puro lixo. Não está incluso nesta conta os recicláveis, orgânicos e alguidares. Em épocas de festa chega coletar quase o dobro disso. Todo esse lixo vem das 2 a 3 mil pessoas que freqüentam semanalmente o Santuário.

O mais interessante é como se aproveita a maioria dos materiais que seriam lixo. Os alguidares são limpos e triturados para servirem de cascalho nas estradas internas do parque. Louças, pratos, copos etc, também são limpos, desinfetados e defumados pela Mãe – de – Santo, Dona Luiza, que separa tudo e encaminha para várias instituições de caridade.

Já os recicláveis são selecionados pelos funcionários que dividem o lucro da venda destes produtos, que não é pouco, sai um caminhão por mês cheio de garrafas e até duas toneladas de plástico, papel e latas, se juntássemos tudo isso, o peso seria em média de 25 toneladas ao mês de “lixo”, evitado de ser despejado e destruir a natureza.

Próximo a cachoeira uma placa alerta os visitantes: “ O lixo traz o rato, o rato traz a cobra, a cobra traz a morte”. A limpeza das oferendas é feita sempre com o prazo mínimo de 24 hs após ser arriada. “ O Umbandista não precisa de uma catedral como só o gênio humano é capaz de construir. Só precisa de um pouco de natureza, como Deus foi capaz de criar “ frisa Pai Ronaldo.

Em Juquitiba, também interior de São Paulo, a União de Tenda de Umbanda e Candomblé do Brasil, presidida pelo Sr. Pai Jamil Rachid, construiu o Vale dos Orixás com o mesmo fim, porém, restrito aos filiados da federação.

Pai Jamil afirma que, por mês, cerca que 2.000 filiados utilizam este espaço.

Em Bauru – SP, a Federação Umbandista Reino de Oxalá, presidida por Sr. Pai Rubens Amaro, há oito anos fundou o Vale dos Orixás.

Infelizmente pelo tamanho do nosso corpo religioso são poucas as iniciativas para “ privatizar “ santuários naturais e trazer conforto, segurança e ecologia para nossa comunidade.

Mas se você reside distante destes espaços se adapte e faça a diferença.



Dicas de Bom Senso


De forma geral os Umbandistas se utilizam da natureza pública, poucos tem acesso aos recintos privados, como citamos. Portanto, todos nós podemos adotar atitudes simples que resultam em grande impacto.

Quando chegar no ponto de força da natureza e definir onde irá arriar sua oferenda, priorize forrar o chão com as folhagens do ambiente. Coloque os elementos e comidas sobre as folhas. Dispense pratos ou coisas do tipo. Os líquidos coloquem em copos descartáveis. Acenda as velas e prepare tudo.

Não há resultado em oferendas feitas às pressas, lembre – se que este é um ato sagrado e com dedicação deve ser ministrado. Então, faça as preces, cantos e pedidos com tranqüilidade. Normalmente na natureza em 30 a 40 minutos as velas já queimaram, ótimo. Recolha as borras e coloque no lixo. Antes de sair, jogue o líquido dos copos ao redor da oferenda, os descartáveis vão pro lixo. Faça o mesmo com garrafas e demais elementos. Certifique – se que ficará na natureza apenas material não poluente.

Seguindo esse preceito deixaremos de agredir a natureza sem perder o ato sagrado e ainda alegrar o Orixá. Não apóie velas no tronco das árvores, você pode matá – las. E lembre – se:



Conceitos de Oferendas e a Natureza

No livro Rituais Umbandistas de Rubens Saraceni, pela Editora Madras, o autor cita na página 21 que “ o ato de fazer uma oferenda ritual a um guia espiritual em um ponto de força abre – lhe a possibilidade de recorrer à própria hierarquia e às forças da natureza, tanto para auxiliarem seu médium como para socorrerem as pessoas que atender. “ Ele ainda complemente que “ a oferenda ritual atua como uma chave de abertura e de religação do médium com o Orixá...”

O espírito Ramatís no livro A Missão da Umbanda, editora do Conhecimento, na página 94 elucida que “ na cosmogonia das religioes africanistas, especialmente a ioruba, o ato de “ arriar “ uma oferenda estabelece e perpetua uma troca de força sagrada entre dois mundos: o divino oculto e o profano visível; tudo é energia e tem mais afinidade com este ou aquele Orixá. Essa energia deve estar sempre em movimento em ambos os sentidos: entre o plano concreto – material e o invisível – astral. Assim como a água em seu ciclo sucessivo de chuva, evaporação, resfriamento e degelo, a dinâmica de transferência energética é considerada essencial e parte da vida. “

Observamos dois autores que ao tratar das oferendas convergem no mesmo ponto. A grandiosidade e sacralidade da oferenda e dos pontos naturais.




TEMPO DE INDIGESTÃO DA SUA OFERENA

Material - Tempo de Degradação

Alguidar - Indeterminado
Louças ( Ibás ) - Indeterminado
Lata de Alumínio - 200 a 500 anos
Vidro - Indeterminado
Isopor - Indeterminado
Metal - 100 anos
Garrafa Pet - 400 anos
Copo de Plástico - 50 anos
Bituca de Cigarro - 5 anos
Papel - 3 a 6 meses
Pano - 6 meses a 1 ano
Sacolas Plásticas - 100 anos
Tampinha de Garrafa - 150 anos
Palito de Fósforo - 6 meses

Rodrigo Queiroz – Revista Umbanda Sagrada

sexta-feira, 6 de agosto de 2010

ICA - Instituto Cultural Aruanda

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*Toda renda é revertida para a manutenção do Instituto Cultural Aruanda

terça-feira, 3 de agosto de 2010

O encanto dos Orixás

Quando atinge grau elevado de complexidade, toda cultura encontra sua expressão artística, literária e espiritual. Mas ao criar uma religião a partir de uma experiência profunda do Mistério do mundo, ela  alcança sua maturidade e aponta para valores universais. É o que representa a Umbanda, religião, nascida em Niterói, no Rio de Janeiro, em 1908, bebendo das matrizes da mais genuina brasilidade, feita de europeus, de africanos e de indígenas. Num contexto de desamparo social, com milhares de pessoas desenraizadas, vindas da selva e dos grotões do Brasil profundo, desempregadas, doentes pela insalubridade notória do Rio nos inícios do século XX, irrompeu uma fortíssima experiência espiritual.

O interiorano Zélio Moraes atesta a comunicação da Divindade sob a figura do Caboclo das Sete Encruzilhadas da tradição indígena e do Preto Velho da dos escravos. Essa revelação tem como destinatários primordiais os humildes e destituídos de todo apoio material e espiritual. Ela quer reforçar neles a percepção da profunda igualdade entre todos, homens e mulheres, se propõe potenciar a caridade e o amor fraterno,  mitigar as injustiças, consolar os aflitos e reintegrar o ser humano na natureza sob a égide do Evangelho e da figura sagrada do Divino Mestre Jesus.

O nome Umbanda é carregado de significação. É composto de OM (o som originário do universo nas tradições orientais) e de BANDHA (movimento inecessante da força divina). Sincretiza de forma criativa elementos das várias tradições religiosas de nosso pais criando um sistema coerente. Privilegia as tradições do Candomblé da Bahia por serem as mais populares e próximas aos seres humanos em suas necessidades. Mas não as considera como entidades, apenas como forças ou espíritos puros que através dos Guias espirituais se acercam das pessoas para ajudá-las. Os Orixás, a Mata Virgem, o Rompe Mato, o Sete Flechas, a Cachoeira, a Jurema e os Caboclos representam facetas arquetípicas da Divindade. Elas não multiplicam Deus num falso panteismo mas concretizam, sob os mais diversos nomes, o único e mesmo Deus. Este se sacramentaliza nos elementos da natureza como nas montanhas, nas cachoeiras, nas matas, no mar, no fogo e nas tempestades. Ao confrontar-se com estas realidades, o fiel entra em comunhão com Deus.

A Umbanda é uma religião profundamente ecológica. Devolve ao ser humano o sentido da reverência face às energias cósmicas. Renuncia aos sacrifícios de animais para restringir-se somente às flores e à luz, realidades sutis e espirituais.

Há um diplomata brasileiro, Flávio Perri, que serviu em embaixadas importantes como Paris, Roma, Genebra e Nova York que se deixou encantar pela religião da Umbanda. Com recursos das ciências comparadas das religiões e dos vários métodos hermenêuticos elaborou perspicazes reflexões que levam exatamente este título O Encanto dos Orixás, desvendando-nos a riqueza espiritual da Umbanda. Permeia seu trabalho com poemas próprios de fina percepção espiritual. Ele se inscreve no gênero dos poetas-pensadores e místicos como Alvaro Campos  (Fernando Pessoa), Murilo Mendes, T. S. Elliot e o sufi Rumi. Mesmo sob o encanto, seu estilo é contido, sem qualquer exaltação,  pois é esse rigor que a natureza do espiritual exige.

Além disso, ajuda a desmontar preconceitos que cercam a Umbanda, por causa de suas origens nos pobres da cultura popular, espontaneamente sincréticos. Que eles tenham produzido significativa espiritualidade e criado uma religião cujos meios de expressão são puros e singelos revela quão profunda e rica é a cultura desses humilhados e ofendidos, nossos irmãos e irmãs. Como se dizia nos primórdios do Cristianismo que, em sua origem também era uma religião de escravos e de marginalizados, “os pobres são nossos mestres, os humildes, nossos doutores”.

Talvez algum leitor/a estranhe que um teólogo como eu diga tudo isso que escrevi. Apenas respondo: um teólogo que não consegue ver Deus para além dos limites de sua religião ou igreja não é um bom teólogo. É antes um erudito de doutrinas. Perde a ocasião de se encontrar com Deus que se comunica por outros caminhos e que fala por diferentes mensageiros, seus verdadeiros anjos. Deus desborda de nossas cabeças e dogmas.

Leonardo Boff

sábado, 31 de julho de 2010

" Umbanda Século XX"

Olá irmãos,

   Uma amiga emprestou-me uma coleção composta por 7 livretos, chamada UMBANDA SÉCULO XX do Babalorixá Paulo Newton De Almeida. Esses livretos são divididos em aulas, com algumas definições bem diretas.
   Para quem queira procurar para ler, a coleção pertence ao Templo Umbandista  "A Caminho da Luz" foi impressa por Dantas Dagrafica.
   Como sou defensor da pluralidade e do dito " O saber não ocupa espaço", vamos a algumas definições que tirei do livreto.

Texto: Livreto I, Umbanda Século XX, Aula 2 

[...] 
 
I - Mediunidade

   Vários são os tipos de mediunidade que atuam na umbanda. Veremos primeiramente uma das mais importantes:

II – A Vidência

   Médium Vidente – é aquele que vê, que percebe a entidade, o fluido, a projeção, a irradiação. É um facho luminoso, colorido, com varias cores dependendo da origem de vibração.

A vidência pode se apresentar:

1 – Direta: A vidência direta pode ter quatro formas:

a) Projeção: o médium vidente vê apenas um facho de luz, uma coloração. Não vê forma humana, não define nem identifica a entidade.

b) Parcial: o médium vê a configuração de uma forma humana ao lado do médium que está trabalhando, mas ainda não da perfeita identificação; vê somente o contorno a forma.

c) Por cima dos ombros (acavalamento): o vidente vê a entidade por cima dos ombros. Ele, já a identifica, percebe toda a configuração. Identifica se é masculino, feminino, se os cabelos são longos, se é caboclo, preto velho, exu, pombagira, etc.

d) Encamisamento: procede-se o encamisamento geral. A entidade toma conta do corpo do médium. Isto acontece na incorporação integral; vê-se a entidade toda, perfeita.

2 – Intuitiva: O médium não vê com os olhos, ele encontra na sua mente, no pensamento, a forma daquilo que ele poderia ver com os olhos. Ele fixa e vem a intuição.

3 – Focalizada: É aquela em que o médium se fixa num ponto, geralmente num cristal, num copo, bola de cristal, etc... Ele vê dentro d'água, na bola, determinada figura. Este tipo de vidência se enquadra muito na clarividência.

   Mecanismo da Vidência: O médium para que possa ver é preciso que além de possuir este tipo de mediunidade, possua sua faixa vibratória regulada para tal, isto é, o seu guia chefe lhe proporcione a vidência, funcionando quase como um espelho.
   Os médiuns videntes, dentro de uma mesma gira, não vêem do mesmo modo; cada um irá ver de acordo com a sua condição espiritual: o de melhor preparo verá falanges mais altas, mais elevadas do que os menos preparados.

III – Fotografia do Espírito

   Podemos fotografar os espíritos. Existem muitas fotografias. O espírito pode ser fotografado de três maneiras:

a) Materializado: no momento em que se materializa, pois é quase palpável.

b) Invisível: o espírito é apenas visível aos olhos do médium vidente. Para que se obtenha isto é preciso que o vidente esteja vendo a sua imagem para transferir para a retina da maquina.

c) Espontâneamente: Existem casos de fotografias obtidas espontâneamente. A pessoa tira o retrato normalmente e na revelação aparece o espírito.

IV – Intuição

   Categoria muito comum na Umbanda.
   Médium Intuitivo, é aquele que recebe em seu pensamento, na forma de sugestão, de uma ordem, certas mensagens pro vindas do espírito.
NOTA: Não devemos seguir sempre a intuição, pois o médium não sabe quem o está intuindo. Depois que estiver com grande preparo espiritual e identificar o fluido ele poderá seguir a intuição, mas quando não tiver certeza não deverá fazer, pois poderá estar presente um mistificador.
   Na incorporação parcial o médium é também intuído. Muitos médiuns acham que estam trabalhando por incorporação e no entanto estão mesmo é sendo intuídos.

V – Audição 
 
   Médium Auditivo, é aquele que recebe através da audição a comunicação dos espíritos. Ele ouve uma voz clara e nítida nos seus ouvidos. Na audição deve-se seguir a mesma orientação da intuição. Ela bem sempre deve ser seguida.

VI – Sonambulismo

   No sonambulismo o médium fica praticamente num sono. É o espírito que fala e o médium não toma nenhum conhecimento. Muito comum e indispensável na incorporação integral.

[...]
continua...

obs.: Antes que eu receba email malcriados, vamos retirar do texto o que serve para aprendizado. Os termos utilizados no texto são próprios do autor e o material é bem antigo, talvez alguns termos descritos acima já não são mais adotados no "universo" umbandista.

Axé a todos!

Michel Borges











domingo, 25 de abril de 2010

Você é umbandista?

Saravá irmãos de fé!

Aproveitando o ano do censo e continuando minhas reflexões sobre os verdadeiros umbandistas. Faço algumas perguntas:

  • É certo, umbandistas casarem na igreja católica?
  • É certo, filhos de umbandistas batizarem na igreja católica?
  • É certo, ao ser questionado sobre sua religião, responder sou espirita ou católico?

Acho que essa três perguntas já servem de reflexão para cada umbandista.


Aqui um texto de Felipe Argüello


Axé a todos!

Michel Borges

BATIZADO NA UMBANDA

O QUE É O BATISMO

O Batismo é um rito de passagem, feito normalmente com água sobre o iniciado através da imersão, efusão ou aspersão. Este rito de iniciação está presente em vários grupos, religiosos ou não, especialmente no catolicismo.

SIGNIFICADO

Segundo o Aurélio, batismo vem do grego, baptismós, que significa mergulhar. Em latim, baptismu. É um sacramento religioso onde através da imersão, da ablução ou simplesmente da aspersão de água significa um renascer espiritual, com purificação de todas as culpas e pecados.

ORIGEM

A origem deste sacramento é tão antiga quanto a humanidade. Cada povo de uma forma ou de outra, sempre teve seu ritual iniciático.

Todos conhecemos a passagem do batismo de Jesus por João Batista. Ali o batismo foi feito por imersão.

As Igrejas Evangélicas e Protestantes praticam até hoje esta forma de batismo. Já na Igreja Católica, a forma comumente usada é de aspersão.

O BATISMO NA UMBANDA

Como em tantas outras religiões, também a Umbanda possui este ritual de iniciação.

Sendo uma religião cristã, a Umbanda usa o sacramento do batismo não apenas como iniciação do adepto, mas também como sacramento consagrando os filhos dos adeptos, como forma de protegê-los contra o mal e contra a negatividade.

Nesta religião, tanto é usada a forma de aspersão (normalmente quando é realizado dentro dos terreiros) como também de imersão (nos rituais de cachoeira).

Como na Igreja Católica, os neófitos indicam padrinhos para orientá-los no caminho da espiritualidade, só que diferentemente daquela, na Umbanda, tais padrinhos podem ser guias ou orixás, os quais serão devidamente representados por seus médiuns na hora da consagração.

LOCAIS PARA A PRÁTICA DO BATISMO

O ritual pode ser praticado dentro do próprio terreiro como também na cachoeira, local de maior vibração de Mãe Oxum, mãe e protetora de todos os filhos de Umbanda e senhora das águas doces.

Em alguns terreiros, por orientação do chefe da casa, o batismo pode também ocorrer na praia, sendo então os filhos consagrados a Iemanjá.

FUNDAMENTO DO BATISMO

Independentemente da religião, é importante entendermos que o ritual fundamenta-se na limpeza áurica e na ativação dos chackras.

A água tem o simbolismo da limpeza, da purificação, jogada ou aspergida normalmente na cabeça, na altura do chackra coronário, simboliza a limpeza deste chackra e sua ativação, promovendo uma unificação com as forças espirituais superiores (lembrem-se que nas Igrejas Católica e Evangélica fala-se em batismo pelo Espírito Santo). Na Umbanda, além de ativarmos a ligação do chackra coronário com a força de Oxalá (Jesus), normalmente consagramos ainda a cabeça a Oxum, promovendo então, não só a limpeza espiritual como o fortalecimento e o equilíbrio das energias cósmicas com a energia terrena.

Além da lavagem, faz parte ainda do ritual a entrega de uma guia feita de contas (para os adultos e iniciados) ou de fitas nas cores azul e branca, como elemento de ligação e de proteção.

Há ainda o cruzamento de pemba, onde os chackras ligados à espiritualidade são cruzados, simbolizando o fechamento destes às forças negativas, ativando-os tão somente para a entrada de energias positivas e benéficas.

Como em todos os rituais de Umbanda, a cerimônia é permeada por pontos de louvação específicos para o ritual.

No mais, cada chefe de terreiro dará suas instruções para o ritual, pois que este depende ainda da linha e da falange que comanda a casa umbandista e sua forma de trabalho. ( texto de Felipe Argüello)



sexta-feira, 19 de março de 2010

CENSO 2010 – DIGA EU SOU UMBANDISTA

Em 2010, o IBGE realizará o XII Censo Demográfico, que se constituirá no grande retrato em extensão e profundidade da população brasileira e das suas características sócio-econômicas e, ao mesmo tempo, na base sobre a qual deverá se assentar todo o planejamento público e privado da próxima década.

O Censo 2010 será um retrato de corpo inteiro do país com o perfil da população e as características de seus domicílios, ou seja, ele nos dirá como somos, onde estamos e como vivemos.

A fase preparatória da operação censitária teve início em 2007 e seus trabalhos foram intensificados a partir de 2008. A coleta está fixada para começar em 1º de agosto de 2010 e o início da divulgação dos resultados em dezembro do mesmo ano.

fonte 19-03-2010:http://www.censo2010.ibge.gov.br



O censo se inicia em Agosto e incluirá itens novos, como a prática religiosa. Você que é realmente Umbandista tem por obrigação responder : " Eu sou umbandista ".

Lembre-se Umbanda é religião. Não se esconda atrás do espiritismo, catolicismo ou de outra forma religiosa. Assuma o que você prega, a nossa consciência é um juiz infalível.




Liberdade e Identidade Religiosa: Uma questão de Cidadania


"Nenhum homem tem o dever de ser rico, grande ou sábio, mas todos têm o dever de serem honrados." --
Rudyard Kipling

Arquivo Questionário básico e Arquivo Questionário Amostra fonte: IBGE 19-03-2010

Axé a todos!
Michel Borges

quinta-feira, 18 de março de 2010

Umbanda, Quem és?

Sou a fuga para alguns, a coragem para outros.
Sou o tambor que ecoa nos terreiros, trazendo o som das selvas e das senzalas.
Sou o cântico que chama ao convívio seres de outros planos.
Sou a senzala do Preto Velho, a ocara do Bugre, a cerimônia do Pajé, a encruzilhada do Exu, o jardim da Ibejada, o nirvana do Indu e o céu dos Orixás.
Sou o café amargo e o cachimbo do Preto Velho, o charuto do Caboclo e do Exu; o cigarro da Pomba-Gira e o doce do Ibeji.
Sou a gargalhada da Padilha, o requebro da Cigana, a seriedade do Tranca-Rua.
Sou o sorriso e a meiguice de Maria Conga e de Cambinda; a traquinada de Mariazinha da Praia e a sabedoria de Urubatão.
Sou o fluído que se desprende das mãos do médium levando a saúde e a paz.
Sou o isolamento dos orientais onde o mantra se mistura ao perfume suave do incenso. Sou o Templo dos sinceros e o teatro dos atores.
Sou livre. Não tenho Papas. Sou determinada e forte.
Minhas forças? Elas estão no homem que sofre e que clama por piedade, por amor, por caridade.
Minhas forças estão nas entidades espirituais que me utilizam para seu crescimento.
Estão nos elementos. Na água, na terra, no fogo e no ar; na pemba, na tuia, no mandala do ponto riscado.
Estão finalmente na tua crença, na tua Fé, que é o elemento mais importante na minha alquimia.
Minhas forças estão em ti, no teu interior, lá no fundo, na última partícula da tua mente, onde te ligas ao Criador.
Quem sou? Sou a humildade, mas cresço quando combatida.
Sou a prece, a magia, o ensinamento milenar, sou cultura.
Sou o mistério, o segredo, sou o amor e a esperança.
Sou a cura.
Sou de ti.
Sou de Deus.
Sou Umbanda.
Só isso. Sou Umbanda.

por Elcyr Barbosa