quinta-feira, 21 de abril de 2011

Só palavras não bastam

Saravá irmãos de fé!
O texto não é de um autor umbandista, mas merece reflexão. Grande abraço, Axé a todos!

Texto: Hélio da Silveira Pinto.
 Só palavras não bastam

                Quando estudamos a Doutrina Espírita aprendemos, entre muitas outras coisas, as razões pelas quais existe tanta diferença na distribuição das riquezas entre as criaturas.
                Elas extrapolam àquelas costumeiras aceitas, que poderíamos sintetizar em: nascimento, trabalho, capacidade e sorte.
                São inúmeros os casos conhecidos de pessoas que nascem em meio a famílias, tanto de posses como de extrema pobreza, e que após alguns anos se encontram em situação econômica totalmente diversa.
                Há, também muitos exemplos de que trabalho e capacidade não são sinônimos de vida à farta.
                Sorte, no sentido literal em que a palavra é usada, não existe.
                Ninguém ganha sozinho o premio da loteria (Sena, Megasena, Loteca ou quantos nomes são dados, no Brasil, aos diversos jogos de azar patrocinados pelo governo),  se não estivesse previsto que deveria passar pela difícil prova da riqueza.
                As verdadeiras razões estão no campo do espírito.
                A lei de Causa e Efeito, para os que fizeram mau uso anterior de bens materiais, a necessidade de desenvolver o sentimento de humildade, combatendo, assim, o orgulho e a vaidade, verdadeiros flagelos da humanidade, são alguns dos motivos reais de desigualdade.
                Mas, esses esclarecimentos não significam que o espírita deva aceitar passivamente o verdadeiro confronto entre o luxo, a ostentação, de um lado e, de outro, a miséria, a condição inumana, em que vivem milhões de nossos irmãos em Deus.
O espiritismo não concorda com tamanha desfaçatez.
Jesus ensinou-nos “buscai e achareis”, é preciso, pois, lutar para solucionar o problema.
Quando, dentro da orientação cristã, pregamos a resignação, não pregamos acomodação.
Resignação para com os desígnios de Deus significa não perder a fé, não tender para o materialismo ateu, que a nada conduz.
Acomodação diante do quadro de miséria existente é anticristão, é apatia, é omissão.
Mas, nada disso justifica que procuremos resolver os problemas sociais através de atos de violência.
Há que sermos brandos e pacíficos.
Hoje, muitas pessoas se dedicam a solução das injustiças sociais. Entretanto, o que se vê é atacarem os efeitos, totalmente alheios à causa.
Resultado, medidas apenas paliativas.
A enorme diferença de condições de vida existente não está na legislação ou forma de governo. Está no homem.
Aplaudimos a cientista Thelma Moss, PHD em Filosofia e catedrática de Neuropsiquiatria da Universidade da Califórnia, Estados Unidos da américa, quando declara: ”-Acredito na reforma íntima como solução para os problemas humanos, tal como é ensinado por Allan Kardec”. (A REVELAÇÃO, órgão de União Espírita Paraense, Jul/Ago 87).
O espiritismo, ao pregar a reforma íntima das criaturas, ataca justamente a causa dos problemas sociais.
Patrão evangelizado não explora seus servidores. Governante evangelizado não pratica de corrupção e distribui justiça social.
Se estas idéias são capazes de salvar o mundo de injustiças e consequentemente convulsão social, como difundi-las?
Pregando com alto-falantes em praça pública? Batendo de casa em casa? Não, Isso também é uma forma de violência. Temos que respeitar o livre arbítrio de cada um. (grifo meu)
Não devemos obrigar as pessoas a ouvir o que não querem.
Como fazer?
Agir da mesma forma que os primeiros cristãos.
Pregar aos que procuram espontaneamente, mas, sobretudo, pregar pelo exemplo.
Quando somos aumentados em nossos ganhos, aumentamos, pelo menos no mesmo percentual, o salário da nossa empregada doméstica? (grifo meu)
Não possui ela mais necessidades do que nós?
A dona de casa, o empresário, enfim qualquer espirita que possua empregados ou subalternos, não só pode como tem obrigação de agir com eles de forma cristã.
Não podemos ficar pregando e esperando que os outros façam justiça social.
Comecemos a nossa parte, mesmo com uma só pessoa. O exemplo será comentado. Todos vão querer saber que Doutrina é essa que faz as pessoas serem justas, mesmo vivendo em um mundo onde impera o abuso, a injustiça, a exploração.
Não foi assim que o cristianismo foi difundido no mundo?
Como reclamar dos outros atitudes que não tomamos?
Basta de palavras bonitas e pregações vazias de obras.
Chega do faça o que eu digo, mas não faça o que eu faço.
Só palavras não bastam.
Exemplifiquemos.