segunda-feira, 12 de dezembro de 2011

Umbanda e o Evangelho II

"E Jesus respondeu: Nem ele pecou nem seus pais; mas foi assim para que se manifestem nele as obras de Deus."
(Jo 9:3)

Inspirados pela idéia de falarmos do Evangelho para umbandistas, ousamos transcrever alguns pensamentos baseados no versículo acima.
João, o apóstolo amado, narra a cura de um cego de nascença, durante o episódio os discípulos perguntaram ao Mestre quem havia pecado se ele, o cego, ou seus pais, ao que Jesus responde dizendo que nem ele nem seus pais haviam pecado.
Meditando nesta passagem da Boa Nova, lembramos de uma resposta do senhor Exú, ou Guardião, como prefere ser chamado, Sete Encruzilhadas Rei da Lira registrada na Revista Espiritual de Umbanda, nº 15: "............Não tenho carma com ninguém, não tinha carma nem com a minha mãe............" A primeira vista parace uma resposta arrogante, de alguém que se acha melhor que todos, mas é apenas a expressão da verdade.
Nós, que nos envolvemos com assuntos como reencarnação, carma, causa e efeito, merecimento e outros, temos a mania de achar que ser humilde é esconder a verdade, mas humildade não é omissão, é a maneira correta de revelar-se por palavras ou exemplos. Vejamos por exemplo os títulos envergados por umbandistas que estão à frente de um terreiro - dirigente, babalaô, baba, pai, mestre, ialorixá e por aí vai. O Caboclo das Sete Encruzilhadas dizia que todos os médiuns são pais e mães de terreiro, então quando nós nos denominamos pais ou mães só estamos sendo honestos, mas precisamos saber como nos posicionar diante dos demais para que a humildade não dê lugar a vaidade.
No livro Transição Planetária, o autor espiritual Manoel Philomeno de Miranda, afirma que desde algum tempo a Terra está recebendo espíritos vindos de outros orbes em missão de auxílio a nós terrícolas. Estes irmãos vêm a nosso socorro e nascem em famílias de diversas classes sociais, das mais pobres às mais ricas. Eles não possuem carma algum com o planeta ou com a família que os abriga como filhos. Parece-nos que a afirmativa do senhor Rei da Lira não é tão arrogante assim; pode ser que ele seja um destes viajantes do espaço em missão de orientação aqui na Terra.
Em sua resposta o senhor Sete Encruzilhadas Rei da Lira ainda diz: "........Estou aqui por amor, não porque simplesmente alguém mandou." Pois é, por Amor, diz ele; isso nos faz lembrar o Mestre novamente quando afirmou que seus discípulos seriam reconhecidos por muito se amarem. E nós ainda teimamos em achar que nossos guardiões só servem para nos ajudar a arrumar um bom emprego, uma namorada ou namorado, ou ainda afastar aquela pessoa indesejada. Obviamente existem aqueles que se entregam a estas tarefas, afinal, como gosta de dizer o senhor Paiva Neto, presidente da LBV - "natura non facit saltum", ou seja a natureza não dá saltos.
Mas voltando ao nosso versículo do Evangelho, é preciso pensar em como podemos encarar as entidades que nos auxiliam nos trabalhos de terreiro, será mesmo que se apresentam sob a roupagem de Pretos-velhos, Caboclos ou Crianças só porque tiveram uma passagem encarnatória em uma destas condições? Quantos deles estão dentro da Umbanda por Amor a causa nobre de nos auxiliar na evolução espiritual?
Não, nós não devemos nos orgulhar de trabalhar com este ou aquele espírito, mas devemos ter consciencia de que alguns de nossos mentores, guias e protetores somente nos acompanham por amor, não por carma.
Então leitores amigos, como já disse antes, não queremos provar que a Umbanda é cristã através de versículos biblicos, mas é nosso dever mostrar que podemos usar as lições evangélicas para entendermos melhor nossa religião e assim nos aprimorarmos tornando-nos melhores médiuns para nossos irmãos espirituais.
Fiquem com Deus, que Oxalá nos abençoe a todos.

Saravá fraterno,

Pai Roberto Mundstein

quinta-feira, 8 de dezembro de 2011

Umbanda e o Evangelho

Saravá fraterno a todos!

Quero introduzir o assunto a partir de um esclarecimento - eu nunca fui a favor de tentar "provar" biblicamente a autenticidade de nossa querida Umbanda. Não sou daqueles que passam horas a fio procurando justificativas biblicas para afirmar que a Umbanda é cristã ou que a reencarnação era aceita por cristãos da primeira hora, ou coisa que o valha.
Entendo que o mundo possui varios livros sagrados e todos com mensagens para uma vida melhor, de paz e harmonia, incluindo entre estes tantos livros a Biblia.
A Terra sempre foi visitada por mensageiros de grande elevação espiritual, eles deixaram suas diretrizes, seus conselhos e principalmente seus exemplos. Todos foram exímios na sublime tarefa de orientar a humanidade que os cercava e examinando com carinho os trabalhos dos velhos instrutores podemos perceber que houve a preocupação de deixar um elo de ligação entre o que eles estavam ensinando e aquilo que outros avatares ensinavam. Percebemos então que espíritos de escol procuram sempre a coerencia em suas palavras, é a confirmação de sua condição espiritual mais elevada.
Dentre todos os mensageiros, profetas, avatares ou seja lá a alcunha que queiram dar, que passaram pelo planeta, Jesus foi sem a menor dúvida o mais importante; não por ser considerado o próprio Deus encarnado (crença da qual não compartilho), mas por ser o grande sintetizador de toda humanidade. Jesus conseguiu nascer entre judeus, viver entre nazarenos e ensinar para toda humanidade.
O evangelho, ou boa nova, deixado por Ele é o melhor código de conduta jamais escrito por alguém, avatar ou não.
Não nos move a preocupação de mostrar uma Umbanda evangelizada, mas a importancia do evangelho na vida de todos. Jesus não determinou que deveríamos deixar esta ou aquela religião para o seguirmos, mas nos deu um código moral, capaz de ser implantado na vida profana e religiosa de quem o queira vivenciar.
Há quem diga o contrário, contudo é narrativa evangélica o ensinamento - "antes de depositar sua oferenda diante do altar, vai e concilia-te primeiro com teu inimigo..." - o Mestre não disse que a oferenda era pecaminosa, mas ensinou que mais importante é nossa capacidade de perdoar.
Quando, nos idos de 1908, o Caboclo das Sete Encruzilhadas decidiu manifestar-se por intermédio do médium Zélio Fernandino de Moraes e iniciar o culto umbandista, ele afirmou que sua base era o evangelho do Cristo e seu maior seria Jesus.
Diante do descrito acima não podemos conceber um terreiro de Umbanda sem bases evangélicas, ainda que estejam encobertas por uma ação simples dos médiuns e espíritos doando suas horas de convívio com a família para atender a muitos que comparecem aos terreiros para "entregar suas oferendas diante do altar" sem que tenham conciliado antes com seus inimigos.

Saravá Umbanda,
Saravá Pai Oxalá, o Cristo-Jesus, médium supremo.


Pai Roberto Mundstein.

segunda-feira, 5 de dezembro de 2011

Oração por entendimento


Senhor Jesus!
Auxilia-nos a compreender mais, a fim de que possamos servir melhor, já que, somente assim, as bênçãos que nos concedes podem fluir, através de nós, em nosso apoio e em favor de todos aqueles que nos compartilham a existência.
Induze-nos à prática do entendimento que nos fará observar os valores que, por ventura, conquistemos, não na condição de propriedade nossa e sim por manacial de recursos que nos compete mobilizar no amparo de quantos ainda não obtiveram as vantagens que nos felicitam a vida.
E ajuda-nos, oh! DIVINO MESTRE, a converter as oportunidades de tempo e trabalho com que nos honraste em serviço aos semelhantes, especialmente na doação de nós mesmos, naquilo que sejamos ou naquilo que possamos dispor, de maneira a sermos hoje melhores do que ontem, permanecendo em ti, tanto quanto permaneces em nós, agora e sempre.

Assim seja.

EMMANUEL

páginas do livro "Paciência", recebido pelo médium FRANCISCO CÂNDIDO XAVIER