quinta-feira, 8 de dezembro de 2011

Umbanda e o Evangelho

Saravá fraterno a todos!

Quero introduzir o assunto a partir de um esclarecimento - eu nunca fui a favor de tentar "provar" biblicamente a autenticidade de nossa querida Umbanda. Não sou daqueles que passam horas a fio procurando justificativas biblicas para afirmar que a Umbanda é cristã ou que a reencarnação era aceita por cristãos da primeira hora, ou coisa que o valha.
Entendo que o mundo possui varios livros sagrados e todos com mensagens para uma vida melhor, de paz e harmonia, incluindo entre estes tantos livros a Biblia.
A Terra sempre foi visitada por mensageiros de grande elevação espiritual, eles deixaram suas diretrizes, seus conselhos e principalmente seus exemplos. Todos foram exímios na sublime tarefa de orientar a humanidade que os cercava e examinando com carinho os trabalhos dos velhos instrutores podemos perceber que houve a preocupação de deixar um elo de ligação entre o que eles estavam ensinando e aquilo que outros avatares ensinavam. Percebemos então que espíritos de escol procuram sempre a coerencia em suas palavras, é a confirmação de sua condição espiritual mais elevada.
Dentre todos os mensageiros, profetas, avatares ou seja lá a alcunha que queiram dar, que passaram pelo planeta, Jesus foi sem a menor dúvida o mais importante; não por ser considerado o próprio Deus encarnado (crença da qual não compartilho), mas por ser o grande sintetizador de toda humanidade. Jesus conseguiu nascer entre judeus, viver entre nazarenos e ensinar para toda humanidade.
O evangelho, ou boa nova, deixado por Ele é o melhor código de conduta jamais escrito por alguém, avatar ou não.
Não nos move a preocupação de mostrar uma Umbanda evangelizada, mas a importancia do evangelho na vida de todos. Jesus não determinou que deveríamos deixar esta ou aquela religião para o seguirmos, mas nos deu um código moral, capaz de ser implantado na vida profana e religiosa de quem o queira vivenciar.
Há quem diga o contrário, contudo é narrativa evangélica o ensinamento - "antes de depositar sua oferenda diante do altar, vai e concilia-te primeiro com teu inimigo..." - o Mestre não disse que a oferenda era pecaminosa, mas ensinou que mais importante é nossa capacidade de perdoar.
Quando, nos idos de 1908, o Caboclo das Sete Encruzilhadas decidiu manifestar-se por intermédio do médium Zélio Fernandino de Moraes e iniciar o culto umbandista, ele afirmou que sua base era o evangelho do Cristo e seu maior seria Jesus.
Diante do descrito acima não podemos conceber um terreiro de Umbanda sem bases evangélicas, ainda que estejam encobertas por uma ação simples dos médiuns e espíritos doando suas horas de convívio com a família para atender a muitos que comparecem aos terreiros para "entregar suas oferendas diante do altar" sem que tenham conciliado antes com seus inimigos.

Saravá Umbanda,
Saravá Pai Oxalá, o Cristo-Jesus, médium supremo.


Pai Roberto Mundstein.