segunda-feira, 30 de janeiro de 2012

Umbanda e o Evangelho III

Continuando com nosso propósito de falar de Evangelho e Umbanda, vamos abordar um tema muito usado por irmãos de outros segmentos para nos atacar. Estamos falando da mediunidade.
Sabemos que outros segmentos cristãos afirmam que Moisés proibiu a comunicação com os "mortos" e por isso nós estaríamos em pecado.
Precisamos estudar mais e nos atermos mais à mensagem trazida. Já dizia minha vó que "para quem sabe ler, um risco quer dizer Francisco!"
Vamos nos lembrar de que anjos, arcanjos, querubins, serafins e outros afins, são entidades espirituais, não estão encarnadas; portanto, falar, ouvir ou ver um destes significa que estamos praticando mediunidade, ou seja lá o nome que quiserem dar ao fenômeno. É preciso lembrar que Maria foi visitada pelo arcanjo Gabriel. Zacarias comunicou-se com o mesmo transgressor da lei e por duvidar, emudeceu. E os anjos continuavam a desobedecer as ordens de Moisés, foram aos pastores e anunciaram o nascimento de Jesus. Mais tarde, o próprio Jesus iria contra a proibição mosaica e travaria uma conversa com Elias e o ligislador e criador da proibição, Moisés. Mas a estes fatos costumamos dar nomes como aparições, profecias, visões e todos são dons do espírito, nas palavras de Paulo.
Pois é, nós somos assim mesmo! Criamos nomes diferentes para os mesmos fenomenos, na maioria das vezes para ocultar nossa humilhação de possuir as mesmas capacidades daqueles a quem condenamos. Chamamos incorporação ou psicofonia, outros dizem profecia; o dom das línguas tornou-se xenoglossia e as aparições ganharam o nome de materializações.
Graças a Deus, nossos Guias e Protetores espirituais não se importam com o nome que damos às árvores, mas com os frutos que colhemos delas, pois que não há má árvore que dê bom fruto.
Quando estudamos os Evangelhos percebemos que Jesus importou-se com as lições morais, aquelas que nos levariam a um futuro melhor, mas nós procuramos os fenômenos. Parecemos crianças ouvindo um conto de fadas, esperando pela vitória do príncipe sobre o dragão para salvar a princesa, sem perceber que o príncipe representa a verdade, o dragão é a maldade, a princesa é a paz e o final feliz é o símbolo maior da vitória do amor sobre as trevas.
Conhecer as proibições, as leis e as diretrizes mosaicas é um ótimo exercício no caminho do conhecimento de como a raça humana cresceu, evoluiu.
É da mesma maneira importante perceber que nas lições evangélicas "anjos e demônios" comunicam-se com os homens, ao contrário do que apregoam muitos dizendo que os espíritos comunicantes são diabos desfarçados.
Voltamos a lembrar nossos irmãos umbandistas que nossa intenção não é provar a presença de Jesus na Umbanda através do Evangelho, nem provar que mediunidades, reencarnação e lei de causa e efeito já eram conhecidos desde há dois mil anos, simplesmente porque isso não mudará em nada nossas vidas. Todavia, saber que nossos erros hoje já foram corrigidos e a lição de como fazer está lá, na amada e temida Bíblia, isso sim muda muita coisa.

Ouça quem tem ouvidos de ouvir e veja quem tem olhos de ver!

Nosso saravá fraterno a todos.

Pai Roberto Mundstein