domingo, 26 de agosto de 2012

PIEGAS, EU?

Sinônimo de piegas: ingênuo, romantico, sentimental e tolo
De acordo com os dicionários estes aí acima são os sinônimos para piegas e de acordo com a postagem anterior, onde podemos ler um trecho de um ensaio de Divaldo Franco (Consciencia), nós umbandistas somos todos piegas.

Este texto serve para que nós reflitamos a respeito do efeito que as palavras têm sobre nossas mentes e emoções.
Todos nós que estudamos um pouquinho sobre a reencarnação, sabemos que os espíritos reencarnam em diversos corpos, em diferentes nacionalidades, condições sociais, ora bonitos, ora feios; feminino hoje, masculino amanhã. Então quando nós, umbandistas, estamos diante de um Preto-velho sabemos que aquele espírito pode não ter sido preto em sua última reencarnação, assim como os Caboclos e as Crianças. Sabemos mais ainda. Por ensinamentos trazidos por eles mesmos, nós sabemos que Pretos-velhos, Caboclos, Crianças e Exús são representações espirituais que relembram as matrizes de formação do povo brasileiro. Além disso, esta é uma bela maneira de eliminar os títulos terrenos, sejam eles quais forem - doutor, frade, freira, patrão ou mentor - tão bem utilizados pelos nossos irmãos do segmento kardequiano.

Será mesmo que somos tolos por procurarmos em nossos protetores, guias ou guardiões as orientações seguras sem nos preocuparmos com títulos ou eloquencia verbal? Não está escrito que conheceremos a árvore pelo fruto que ela dá? O Mestre que seguimos utilizou-Se de uma das línguas mais pobres da época para falar ao povo; ao invés de falar em grego, latim ou hebraico, Jesus escolheu o aramaico. Por que não seguimos o Seu exemplo? Será o orgulho ou a vaidade que nos impede?

Nós, umbandistas, entendemos que existiram escravos bons e maus, índios bons e maus, assim como sabemos que existiram bons e maus médicos, advogados, freiras, padres, pastores, pais de santo e dirigentes espíritas e umbandistas. Entendemos perfeitamente que atraímos espíritos que coadunam com nossos pensamentos e temos a certeza de que somos amparados pelos queridos Orixás; estes permitem que exerssamos nosso livre arbítrio, sem deixar que caiamos.

Existe um ponto cantado para o Exú Sr. Tranca Ruas que diz assim: " Deixa esse povo falar, deixa essa gente dizer......" Então deixemos que eles falem e sigamos com nossos exemplos.
Então sejamos piegas, ingênuos, romanticos, sentimentais e tolos.
Para finalizarmos nossa humilde postagem, gostariamos de citar o maior de todos os mandamentos, segundo Jesus - Amar a Deus sobre todas as coisas e ao próximo como a si mesmo. Aqui estão guardadas todas as leis e os profetas.

Saravá fraterno,
Pai Roberto Mundstein - 26/08/2012

sábado, 25 de agosto de 2012

Aos aduladores, Fica a Dica!

O motivo do post de hoje, é que achei o texto perfeito no blog AS VOZES DE ARUANDA, sobre um nó na garganta que estou guardando desde o dia 28 de julho de 2012. 
No dia 28 o médium espírita Divaldo Pereira Franco esteve na cidade de Petrópolis no ginásio do SISEP e no dia 29 foi realizado o IX SEMINÁRIO DE UMBANDA da TEMO, que podemos considerar o seminário umbandista de Petrópolis,  devido ao nível de empenho e organização.
Para ir direto ao assunto, mesmo porque o texto do blog AS VOZES DE ARUANDA é um pouco extenso, mas vale a pena ser lido, meu  engasgo com esse final de semana é com os "umbandecistas" que adulam o Sr. Divaldo e torcem o nariz  para estudos e eventos umbandistas feitos para umbandistas, leiam o texto a seguir e Reflitam.


Atenção: Deixo claro que não tenho nada contra as palestras do Sr. Divaldo, consegue-se tirar bons ensinamentos de suas palestras, bastando anular as atitudes de pessoa afetada pela fama, de ridícula nas maneiras ao falar da religião alheia, dada a infantilidade de se achar o dono da verdade, é ridiculamente sentimental em achar que os estudos do Prof. Hippolyte Léon Denizard Rivail são leis, uma postura muito pieguista por sinal. 





"Se tivessem lido em O Livro dos Médiuns, O Laboratório do Mundo Espiritual, saberiam que se a entidade mantém determinadas características do mundo físico, é porque se trata de um ser atrasado."  -- Divaldo


A ARROGÂNCIA DE DIVALDO PEREIRA FRANCO 


"... Na cultura brasileira, remanescente do africanismo, há uma postura muito pieguista, que é a do preto velho. E muitas pessoas acham que é sintoma de boa mediunidade ser intrumento de preto velho. Quando lhe explicamos que não há pretos velhos, nem brancos velhos, que todos são Espíritos, ficam muito magoadas, dizendo que nós, espíritas, não gostamos de pretos velhos. E lhes explicamos que não é o gostar ou não gostar. Se tivessem lido em O Livro dos Médiuns, O Laboratório do Mundo Espiritual, saberiam que se a entidade mantém determinadas características do mundo físico, é porque se trata de um ser atrasado. Imagine o Espírito que manquejava na Terra, porque teve uma perna amputada, ter de aparecer somente com a perna amputada. Ele pode aparecer conforme queira, para fazer-se identificar, não que seja o seu estado espiritual. Quando, ao retornar à Pátria da Verdade, com os conhecimentos das suas múltiplas reencarnações anteriores, pode apresentar-se conforme lhe aprouver.

Então, a questão do preto velho é um fenômeno de natureza animista africanista, de natureza piegas. Porque nós achamos que o fato de ter sido preto e velho, tem que ser Espírito bom, e não é. Pois houve muito preto velho escravo que era mau, tão cruel quanto o branco, insidioso e venal. E também houve e há muito branco velho que é venal, é indigno e corrompido. O fato de ter sido branco ou preto não quer dizer que seja um Espírito bom.

Cabe ao médium ter cuidado com esses atavismos, e quando esses Espíritos vierem falando errado, ou mantendo os cacoetes característicos das reencarnações passadas, aclarar-lhes quanto à desnecessidade disso. Porque se em verdade, o preto velho quer falar em nagô, que fale em nagô, mas que não fale um enrolado que não é coisa nenhuma. Ou, se a entidade foi alemã na Terra e não logre falar o idioma do médium, que fale alemão, mas que não fale um falso alemão para impressionar. O médium só poderá falar o idioma no qual ele já reencarnou em alguma experiência passada.Desde que não há milagres nem sobrenatural, o médium é um instrumento. Sendo a mediunidade um fenômeno orgânico, o Espírito desencarnado vai utilizar o que encontre arquivado no psiquismo do médium, para que isto venha à baila." 

O trecho acima é extrato de um ensaio do médium espírita Divaldo Pereira Franco, que tem como título "Consciência".

Divaldo, para quem não sabe, é uma personalidade do mundo espírita. Orador dos mais requisitados, profundo conhecedor da Doutrina Espírita, filantropo e mantenedor da "Casa do Caminho", considerado por muitos como o sucessor do falecido Chico Xavier.

Infelizmente, Divaldo Franco, assim como a maioria dos Espírita, é arrogante e demonstra completa ignorância sobre a Doutrina Umbandista e, vou mais além, do Mundo Espiritual de um modo geral. O aclamado escritor comete os mesmos erros doutrinários e de julgamento que todos os seus confrades que se meteram a escrever sobre aquilo que desconhecem.

Em primeiro lugar, Divaldo cita o "Livro dos Médiuns" como a última palavra em termos doutrinários. É como se o que Allan Kardec codificou fosse a verdade absoluta, o mais puro eco da Espiritualidade na Terra.

Neste mesmo sentido, Divaldo dá um "tiro no pé" ao dizer que Entidades que mantêm determinadas características do mundo físico é um espírito atrasado. Isto vindo de alguém que tem como guia um espírito que se apresenta como uma freira (Joana de Angelis) é, no mínimo, contraditório. Exceto que ele considere a sua mentora, apesar de manter as características de uma religiosa católica, exceção à esta regra.

Talvez outros ícones da seara espírita, como Bezerra de Menezes e Irmã Sheila, também estão excluídos da regra ditada no "Livro dos Médiuns" já que, como é de conhecimento geral, continuam se apresentando com as características de suas últimas encarnações terrenas.

Outra contradição medonha na infeliz colocação de Divaldo, é que os espíritos, ao retornarem à Pátria Espiritual (que ele denonima "Pátria da Verdade"...) pode se apresentar como quiser. Então, já que é assim, por quê não se apresentar na forma de um Preto-Velho? De um Caboclo? Só é aceitável para o eminente escritor que os espírito apresente-se como freiras ou médicos, brancos de preferência?

Sinceramente, não vejo qual a diferença, exceto pelo "racismo espiritista" que sempre campeou o meio kardecista, desde o seu fundador. Ou será que os espíritas se esqueceram o que Kardec escreveu em várias obras sobre a inferioridade deste ou daquele povo ou raça"?

Vejamos:

"O progresso não foi, pois, uniforme em toda a espécie humana; as raças mais inteligentes naturalmente progrediram mais que as outras, sem contar que os Espíritos, recentemente nascidos na vida espiritual, vindo a se encarnar sobre a Terra desde que chegaram em primeiro lugar, tornam mais sensíveis a diferença do progresso .Com efeito, seria impossível atribuir a mesma antiguidade de criação aos selvagens que mal se distinguem dos macacos, que aos chineses, e ainda menos aos europeus civilizados" (Allan Kardec, A Gênese, Ed. Lake, São Paulo, 1a edição, comemorativa do 100 aniversário dessa obra p. 187.)

"Esses Espíritos dos selvagens, entretanto pertencem à humanidade; atingirão um dia o nível de seus irmãos mais velhos, mas certamente isso não se dará no corpo da mesma raça física, impróprio a certo desenvolvimento intelectual e moral. Quando o instrumento não estiver mais em relação ao desenvolvimento, emigrarão de tal ambiente para se encarnar num grau superior, e assim por diante, até que hajam conquistado todos os graus terrestres, depois do que deixarão a Terra para passar a mundos mais e mais adiantados" (Revue Spirite, abril de 1863, pág. 97: Perfectibilidade da raça negra, in Allan Kardec, A Gênese, Ed. cit. p. 187. )

"Um chinês, por exemplo, que progredisse suficientemente e não encontrasse na sua raça um meio correspondente ao grau que atingiu, encarnará entre um povo mais adiantado" (Allan Kardec, O que é o Espiritismo, Edição da Federação Espírita Brasileira, Brasília, 32a edição, sem data, pp. 206-207. A edição original de Qu"est ce que le Spiritisme é de 1859)."

É compreensível que Divaldo Pereira Franco, assim como mais um punhado de escritores espíritas que se meteram a escrever sobre o que não conhecem e, não raramente, criticando a Umbanda, chamar os Espíritos que se manifestam sobre a forma de "Pretos-Velhos" de "piegas". Os espiritas, de forma geral, tem horror à tudo que não seja proveniente da cultura helênica. Se não for ariano e cristão, então é coisa de "espíritos atrasados".

O mais engraçado é que enquanto a Europa estava mergulhada nas idade das trevas, o chineses já tinham uma civilização onde se conhecia a matemática, a filosofia, a astronomia, a pólvora. Os árabes já contavam com uma medicina avançada e um organização social invejável. Os reinos de Oyó e de Ifé prosperavam na África e, não nos esqueçamos, que as pirâmides não foram construídas por brancos.

Acredito eu, sinceramente, que a figura do "Preto-Velho" representa muito melhor a humildade tão pregada pelos espíritas, do que seus mentores europeus, com nomes famosos e, não raramente, ligados às elites, como no caso de freiras, médicos e artistas renomados.

Melhor a simplicidade do "Caboclo", do que a empáfia de determinados escritores que, não contendo o seu ego inflado e sua viseira doutrinária, não compreendem (ou não querem...) que realmente não existem nem "pretos" e nem "brancos" velhos, mas sim espíritos, que até foram médicos, freiras, pintores e músicos renomados e, por que não, negros africanos, índios brasileiros, em alguma de suas existências, mas exatamente por seguirem as premissas que norteiam os trabalhos espirituais, em especial a humildade, assim se manifestam para serem ouvidos e entendidos pelo "doutor" assim como pelo analfabeto.

Prefiro o "atavismo piegas" do "Preto Velho", o cheiro de arruda e guiné de nossos Terreiros, à arrogância e o racismo, assim como o gosto pelo perfume francês, demonstrados pelo médium da freira.


Fonte: AS VOZES DE ARUANDA


P.S.:   Preto Velho no Kardecismo -- Alexandre Cumino

quinta-feira, 9 de agosto de 2012

Oferendas


Foto do jornal Extra do dia 05 de Agosto de 2012 – edição eletrônica. 
Título da reportagem: Cardápio verde dos Orixás


No último domingo 29/Julho, estivemos em um seminário de Umbanda aqui em Petrópolis – IX Seminário de Umbanda da Tenda Espírita Mamãe Oxum – e fomos agraciados com a oportunidade de realizarmos uma palestra cujo tema foi “O Umbandista”.

Discorrendo sobre o tema passamos levemente pelas oferendas. Na ocasião procuramos mostrar que podemos lançar mão de oferendas mais harmoniosas produzidas a partir de componentes biodegradáveis, ou recicláveis ou ainda reaproveitáveis pela natureza. Temos certeza de que muitos nos rejeitaram as ideias, mas isso não nos causa desanimo ou desalento porque também temos a certeza do amparo dos guias e protetores na implantação de condutas modernas e coerentes com uma religião em plena evolução.

Qual não foi então nossa surpresa quando abrimos o jornal Extra do último domingo 05/Agosto e nos deparamos com a reportagem “Cardápio verde dos Orixás”, nos dando conta de que um grupo umbandista da zona oeste do Rio de Janeiro criou uma cartilha com sugestões de oferendas ecologicamente corretas. Feitas com frutas, flores e depositadas sobre folhas de bananeira, mamona ou outra folhagem apropriada, estas oferendas tornam-se adubo para o solo em nada prejudicando a natureza.

Entendemos que a melhor das oferendas não seja aquela ecologicamente correta, depositada na natureza ou nos terreiros, mas o pão distribuído aos mais necessitados, entretanto, entendemos que entre os alguidares repletos de sangue e restos de animais, garrafas, copos e restos de velas, preferimos a harmonia das frutas e flores.

Podemos sugerir também a utilização de cristais de rocha acompanhados de folhagens e flores para as oferendas feitas com o objetivo de proteção durante sessões realizadas nas matas e praias. Os coités construídos com casca de coco podem ser facilmente substituídos por cascas de laranja ou limão, não que a casca de coco seja poluente, mas ela pode causar ferimentos em um filho mais desatento passando pelo local. As velas podem ser depositadas em copos ou forminhas de empada, que deverão ser recolhidos após a queima das velas.

Povo de Umbanda, estamos em pleno século XXI, o mundo clama por sustentabilidade, não sejamos nós os “contra” dessa história. História, aliás, da qual fazemos parte como realizadores, então vamos trabalhar para que o futuro nos mostre como religiosos verdadeiramente amantes da natureza.
E como diz o ponto: “Deixa a Umbanda melhorar, deixa a Umbanda melhorar, deixa a Umbanda melhorar, filho de pemba”.

Saravá fraterno.
Pai Roberto Mundstein