quinta-feira, 9 de agosto de 2012

Oferendas


Foto do jornal Extra do dia 05 de Agosto de 2012 – edição eletrônica. 
Título da reportagem: Cardápio verde dos Orixás


No último domingo 29/Julho, estivemos em um seminário de Umbanda aqui em Petrópolis – IX Seminário de Umbanda da Tenda Espírita Mamãe Oxum – e fomos agraciados com a oportunidade de realizarmos uma palestra cujo tema foi “O Umbandista”.

Discorrendo sobre o tema passamos levemente pelas oferendas. Na ocasião procuramos mostrar que podemos lançar mão de oferendas mais harmoniosas produzidas a partir de componentes biodegradáveis, ou recicláveis ou ainda reaproveitáveis pela natureza. Temos certeza de que muitos nos rejeitaram as ideias, mas isso não nos causa desanimo ou desalento porque também temos a certeza do amparo dos guias e protetores na implantação de condutas modernas e coerentes com uma religião em plena evolução.

Qual não foi então nossa surpresa quando abrimos o jornal Extra do último domingo 05/Agosto e nos deparamos com a reportagem “Cardápio verde dos Orixás”, nos dando conta de que um grupo umbandista da zona oeste do Rio de Janeiro criou uma cartilha com sugestões de oferendas ecologicamente corretas. Feitas com frutas, flores e depositadas sobre folhas de bananeira, mamona ou outra folhagem apropriada, estas oferendas tornam-se adubo para o solo em nada prejudicando a natureza.

Entendemos que a melhor das oferendas não seja aquela ecologicamente correta, depositada na natureza ou nos terreiros, mas o pão distribuído aos mais necessitados, entretanto, entendemos que entre os alguidares repletos de sangue e restos de animais, garrafas, copos e restos de velas, preferimos a harmonia das frutas e flores.

Podemos sugerir também a utilização de cristais de rocha acompanhados de folhagens e flores para as oferendas feitas com o objetivo de proteção durante sessões realizadas nas matas e praias. Os coités construídos com casca de coco podem ser facilmente substituídos por cascas de laranja ou limão, não que a casca de coco seja poluente, mas ela pode causar ferimentos em um filho mais desatento passando pelo local. As velas podem ser depositadas em copos ou forminhas de empada, que deverão ser recolhidos após a queima das velas.

Povo de Umbanda, estamos em pleno século XXI, o mundo clama por sustentabilidade, não sejamos nós os “contra” dessa história. História, aliás, da qual fazemos parte como realizadores, então vamos trabalhar para que o futuro nos mostre como religiosos verdadeiramente amantes da natureza.
E como diz o ponto: “Deixa a Umbanda melhorar, deixa a Umbanda melhorar, deixa a Umbanda melhorar, filho de pemba”.

Saravá fraterno.
Pai Roberto Mundstein