terça-feira, 2 de outubro de 2012

UMBANDA EM 2070

Já faz algum tempo que pensamos em como demonstrar aos umbandistas a importância de preservarmos a natureza. Sempre que tocamos neste assunto nós enfatizamos a presença dos Orixás nos sítios sagrados; contudo, este argumento não surte o efeito esperado e nós continuamos a maltratar os reinos sagrados em nome de nossas necessidades mais puerís. Ao primeiro sinal de dor física ou moral, lá vamos nós com nossos alguidares, garrafas, panos, velas e sabe-se lá mais o que para depositarmos nas matas, praias e cachoeiras, rogando pela ajuda dos Orixás.
Hoje nós decidimos deixar que uma carta extraída da revista biográfica "Crónicas de los Tiempos" de abril de 2002, fale por nós. Esta carta vem rodando na grande rede há alguns anos.
Pedimos a voce que transfira todo sentimento desta espístola para nossa religião e tente entender o quanto são negativos todos os trabalhos que deixamos para os Orixás nos ajudarem "em nome de Oxalá".




CARTA ESCRITA EM 2070 DC
  
   Ano 2070. Acabo de completar 50 anos, mas a minha aparência é de alguém com 85. Tenho sérios problemas renais porque bebo muito pouca água. Creio que me resta pouco tempo.  Hoje sou uma das pessoas mais idosas nesta sociedade.
   Recordo quando tinha cinco anos. Tudo era muito diferente. Havia muitas árvores nos parques, as casas tinham bonitos jardins e eu podia desfrutar
 de um banho de chuveiro.. .
   Agora usamos toalhas de azeite mineral para limpar a pele.
Antes, todas as mulheres mostravam as suas formosas cabeleiras. Agora, devemos rapar a cabeça para a manter limpa sem água.
   Antes, o meu pai lavava o carro com a água que saía de uma mangueira. Hoje, os meninos não acreditam que
se utilizava a água  dessa forma. Recordo que havia muitos anúncios que diziam CUIDA  DA ÁGUA, só que ninguém lhes ligava - pensávamos que a água jamais podia acabar. Agora, todos os rios, barragens, lagoas e mantos aqüíferos estão Irreversivelmente contaminados ou esgotados. Antes, a quantidade de água indicada como ideal para beber eram oito copos por dia por pessoa adulta. Hoje só posso beber meio copo. A roupa é descartável, o que aumenta grandemente a quantidade de lixo e tivemos que voltar a usar os poços sépticos (fossas) como no século passado já que as redes de esgotos não são usadas por falta de água.
   A aparência da população é horrorosa; corpos desfalecidos, enrugados pela desidratação, cheios de chagas na pele provocadas pelos raios ultravioletas que já
não tem a capa de ozônio que os filtrava na atmosfera. Imensos desertos constituem a paisagem que nos rodeia por todos os lados.
   A industria está paralisada e o desemprego é dramático. As fábricas dessalinizadoras são a principal fonte de emprego e pagam-nos
os salários em água potável .
Os assaltos por um bidão de água são comuns nas ruas desertas. A comida é 80% sintética.
  Pela ressequidade da pele, uma jovem de 20 anos está como se tivesse 40. 
   Os cientistas investigam, mas não parece haver solução possível.
  Não se pode fabricar água, o oxigênio também está degradado por falta de  árvores e isso ajuda a diminuir o coeficiente intelectual das novas gerações.
Alterou-se também a morfologia dos espermatozóides de muitos indivíduos e como conseqüência há muitos meninos com insuficiências, mutações e deformações.

   O governo cobra-nos pelo ar que respiramos (137 m3 por dia por habitante adulto). As pessoas que não podem pagar são retiradas das "zonas ventiladas". Estas estão dotadas de gigantescos pulmões mecânicos que funcionam a energia  solar. Embora não sendo de boa qualidade, pode-se respirar. A idade média é  de 35 anos.
   Em alguns países existem manchas de vegetação normalmente perto de um rio,  que é fortemente vigiado pelo exercito. A água tornou-se num tesouro muito cobiçado - mais do que o ouro ou os diamantes. Aqui não há arvores, porque quase nunca chove e quando se registra precipitação, é chuva ácida. As estações do ano tem sido severamente alteradas pelos testes atômicos.
   Advertiam-nos que devíamos cuidar do meio ambiente e ninguém fez caso. Quando a minha filha me pede que lhe fale de quando era jovem descrevo o bonito que eram os bosques, lhe falo da chuva, das flores, do agradável que era tomar banho e poder  pescar nos rios e barragens, beber toda a água que quisesse, o saudável que era a gente, ela pergunta-me: Papá! Porque se acabou a água? Então, sinto um nó na garganta; não deixo de me sentir culpado, porque pertenço à geração que foi destruindo o meio ambiente ou simplesmente não levamos em conta tantos avisos. Agora os nossos filhos pagam um preço alto e sinceramente creio que a vida na terra já não será possível dentro de muito pouco tempo porque a destruição do meio ambiente chegou a um ponto irreversível.
   Como gostaria voltar atrás e fazer com que toda a humanidade compreendesse isto, quando ainda podíamos fazer algo para salvar ao nosso planeta Terra!
 
=========================================================================
Que as Mães D'água nos clareie a mente, que os Orixás das matas e praias nos impessam essa loucura de acabar com o mundo em que vivemos.

Saravá Umbanda! Salve Pai Oxalá! Viva Zambi!

Pai Roberto Mundstein - 02/10/2012