quinta-feira, 11 de fevereiro de 2016

Pontos cantados


Na Umbanda em geral os pontos cantados podem ser divididos em “pontos de raiz” e “pontos terrenos”, onde temos:
Pontos de raiz – São trazidos pelas entidades. Os espíritos nos ensinam letra e ritmo. Segundo a tradição estes pontos não podem ser modificados em nada, ou seja, não podem ser “aproveitados” para outra entidade que não aquela que o trouxe. Geralmente são pontos curtos.

                                             

 
Pontos terrenos – São pontos compostos por autores encarnados. São também conhecidos como “pontos coringa” porque podem ser direcionados a quaisquer entidades cujas características se encaixem na letra do ponto.
Ponto de raiz:
Caboclo Roxo da pele morena,
Ele é um Oxossi, é caçador lá da Jurema.
Ponto terreno:
Eu vi seu “Fulano de tal” um dia,
Ele estava sentado em uma pedra fria;
Ele cantava, ele assobiava;
E lá no céu uma estrela brilhava.

Vamos refletir um pouco sobre Umbanda.
Antigamente, no início da prática umbandista, não havia pontos, nem de raiz, nem terrenos. Não fossem as entidades trazendo suas músicas próprias nós provavelmente não cantaríamos ou comporíamos pontos como os conhecemos.
Um fato relevante com relação a esta ação das entidades nos terreiros umbandistas é que até bem pouco tempo atrás, nós acreditávamos que na Umbanda só existia a faculdade mediúnica de incorporação. Provavelmente uma herança dos Candomblés e outros cultos afros onde ogans e ekedis “não possuem mediunidade”.
Fato é que hoje nós reconhecemos que as diversas modalidades mediúnicas são fartamente encontradas nos seios umbandistas e isso nos traz médiuns com capacidade para ouvir um ponto inédito e transcrevê-lo com precisão, inclusive acompanhado pelo ritmo adequado. Temos psicógrafos, audientes, videntes, intuitivos e musicistas plenamente capazes de trazer para nós novos pontos, que há princípio podem parecer composições próprias, mas os fundamentos colocados nas letras nos mostram que são verdadeiros pontos de raiz.
Sejamos claros. Não é mais imprescindível que uma entidade passe seu ponto através da incorporação. Com o aumento considerável de médiuns semiconscientes (e sem conhecimento musical) muitas vezes é impossível que o façam por pura incapacidade do médium em reproduzir com fidelidade tal composição. Então nossos amigos espirituais podem ir ao encontro de médiuns capacitados para tal tarefa.
Alguns ogans possuem essa capacidade musical e reconhecem que uma entidade está passando um novo ponto, outros conseguem musicar, dar ritmo a letras trazidas, por exemplo, por psicógrafos. Seja lá por que meio venham, o fato é que os pontos de raiz não deixaram de chegar.
Nossa condição atual na Umbanda nos obriga a um estudo mais profundo das faculdades medianímicas para que nossos compositores do além possam contar com bons instrumentos; médiuns conscientes de sua capacidade e em condições de discernir quando um ponto é de sua autoria (ainda que saibamos da constante inspiração do Alto) e quando é autoria de um espírito. Na dúvida o melhor é assumir a autoria e ver que tipo de influência nos traz aquela letra; como diz o dirigente umbandista Adérito Simões, do canal Umbanda T7, não podemos ficar só na teoria, precisamos ir para a prática, precisamos vivenciar a movimentação energética que as diversas magias aprendidas num terreiro. Ou seja, se o ponto propõe a subida da entidade, cante neste momento e perceba se a vibração realmente corresponde.


Pai Roberto Mundstein – Grupo de Assistência Espiritual Umbanda Universal.